Brooklyn Bridge, Dallas BBQ, Grand Central, 53rd&3rd, Rockefeller Center. Ou o mais longo dos dias.
O sexto dia dessa viagem vai ser lembrado para sempre como The Longest Day. O plano inicial era fazer o passeio durante o dia e pegar uma carona com a Z., prima da P., à noite, pois dormiríamos na casa dela em Long Island para passarmos o Natal com a família dela. Arrumamos nossas mochilas e rumamos para Manhattan.
Por algum milagre da natureza, o céu se abriu e o sol apareceu. Ele, que não tinha dado as caras desde que cheguei em NY, resolveu aparecer e nos ajudou a programar um pouco melhor o dia, já que os três primeiros passei enfurnado em museus por causa do frio, da neve ou da chuva. Neste dia não choveu, mas tanto a neve como o frio ainda estavam lá, firmes e fortes.
Brooklyn Bridge
Resolvemos começar o dia em Downtown, mais precisamente na Brooklyn Bridge.
Reza a lenda que atravessar a ponte a pé e emendar um tour pelo Brooklyn é um ótimo passeio. Não duvido nem um pouco, pois de fato a ponte é belíssima, bem conservada (para uma ponte fundada em 1883) e a visão que se tem de Manhattan do outro lado do rio deve ser ótima, mas nos contentamos em chegar até a primeira das torres, o que já foi uma aventura incrível, dado o estado do chão e do meu tênis, mais careca que bunda de índio.
Aproveitando, fica aqui mais uma dica para os marinheiros de primeira viagem na neve: vale a pena investir num bom tênis de trilha e em meias grossas se você quer de fato enfiar o pé na neve sem precisar se preocupar muito com o frio. Eu fui com meu Timberland velho de guerra e algumas meias grossas e não passei aperto. O lance é evitar tênis de corrida, com revestimento em lona, que é leve, mas se molha muito fácil. E andar com a meia molhada na neve não é exatamente a experiência mais agradável do mundo.
Grand Central Station e Dallas BBQ
Saímos da ponte, passamos na Modell’s da Chambers Street (bons preços na época, vale a visita) e pegamos o metrô para a 42nd Street. O objetivo era ir direto ao restaurante, mas já que saímos direto na Grand Central Terminal (e não Station, como eu havia aprendido), por que não aproveitar para tirar umas fotos?
A Grand Central, segundo a Wikipedia, é a maior estação de trens do mundo em número de plataformas. Novamente, não duvido. Pela foto dá pra notar a quantidade de gente circulando pelo saguão, vindos de todos os lugares. É somente doze anos mais velha do que a Brooklyn Bridge, o que me faz pensar agora que nesse dia ainda não havia saído do século XIX nos meus passeios. Assim como a ponte, a estação é muito bonita e muito bem conservada, mesmo sendo utilizada diariamente por milhares de pessoas.
Já devidamente famintos, finalmente fomos conhecer o Dallas BBQ da Times Square, bem perto da Grand Central.
Também fui ao restaurante seguindo uma dica do Nova York para Mãos-de-Vaca (aliás, ótima fonte de referências para pobres que se metem a passear por NY como eu). De fato, trata-se de uma das opções mais baratas de Manhattan. No entanto, como bem avisa o Henry, as porções são grandes. Por isso, pedimos somente um Bar-B-Q Baby Back Ribs com yellow rice, que foi mais do que o suficiente para nós dois. Lembramos do detalhe do tamanho para o prato, mas esquecemos disso na hora de pedir os refrigerantes.
E então, você pede pro garçom uma inocente coca-cola e eles te dão isso:
Reparem que há na mão da P. um pedaço de papel rasgado da lâmina do Dallas BBQ. Trata-se disso aqui:
Fomos obrigados a voltar outro dia para provar o Early Bird Special.
Posso dizer que comer no Dallas BBQ é conhecer um pouco dos EUA. Está tudo lá: o consumo, o exagero, a comida meio picante e ao mesmo tempo sem gosto. Há até uma divisão social do trabalho muito bem definida entre negros e latinos (as duas mãos-de-obra mais abundantes em Manhattan, por sinal). Os negros são os atendentes de primeira linha: vestem calça preta e camisa azul, anotam seu pedido, são atenciosos, perguntam se a comida está a contento e trazem a conta. Os latinos, por sua vez, não abrem a boca. Vestem-se de preto (aparentemente, quanto mais invisíveis, melhor) e fazem o trabalho sujo: limpam as mesas e os banheiros. Não entrei na cozinha, mas imagino que devam ser eles quem lavam os pratos e limpam o chão. Não há brancos trabalhando como garçons. Os únicos que eu vi no restaurante ou eram supervisores/gerentes ou eram clientes.
53rd&3rd, Quinta Avenida, Apple Store, Time Warner Center, Whole Foods
Depois dessa experiência sociológica e devidamente empanturrados com tanta comida e refrigerante, subimos a pé até o cruzamento da 53rd Street com a 3rd Ave e cumpri a primeira parte do meu roteiro Ramonico (que ainda incluía a Joey Ramone Place e o CBGB).

Para os incautos que não sabem do que estou falando.
Fomos até a 5th Avenue e continuamos subindo, até que chegamos à caixa mágica da Apple (coro angelical, por favor):
Fiz questão de entrar na caixa (descer, na verdade, a loja toda é no subsolo), mas estava tão apinhado de gente que mal deu para curtir os gadgets. Tinham me falado que a Apple Store seria um bom lugar para poder acessar a web de graça, mas não consegui nenhum macbookzinho livre. No máximo dei uma fuçada num iPod Touch e fomos para o Time Warner Center ali perto, que nada mais é do que um shopping center enjoado na Columbus Circle cheio de lojas super caras.
Lembram-se do vídeo da casa do primeiro dia? Que tal alguma coisa em escala um pouco maior?
Na verdade não entramos no shopping para ver esse festival de luzes, mas para comer. A Z. tinha nos recomendado uma sopa (mais uma) vendida dentro do Whole Foods desse shopping, e resolvemos conferir.
Imagine a seção de alimentos orgânicos/vegetarianos/naturebas/integrais/whatever do Pão de Açúcar que você conhece. Agora imagine um supermercado inteiro só com coisas desse tipo. Aumente um pouco mais o espaço físico da loja e inclua um balcão de comida japonesa (com sushimen fatiandos sashimis na hora), mais um balcão de comida por kilo, outro de sopas prontas e quentinhas, mais uma seção de roupas, cosméticos, tudo “ecologicamente correto”, além de muitos, muitos consumidores e você terá uma idéia do que é o Whole Foods.
Achei esse vídeo aqui que talvez explique melhor.
Pegou o espírito? O que era para ser uma prática inerente à alimentação do ser humano tornou-se mais um nicho de mercado. Aparentemente ninguém mais consegue comprar um rabanete sem correr o risco dele lhe transformar num monstro. Precisamos de um passo-a-passo de como comprar comida saudável. E você só estará completamente seguro das suas escolhas se comprar no Whole Foods. Ou não.
Pegamos sopa, pão e uma salada de frutas, pois tínhamos muito tempo ainda antes da Z. nos pegar.
Rockefeller Center
Depois da bela refeição, descemos a Sexta Avenida em direção ao Rockefeller Center, não sem antes passar pelo Radio City Music Hall:
No caminho, a Nintendo World:
E, finalmente, a árvore:
Reparem ao fundo nessa última foto: trata-se da decoração de natal da Saks, “lojinha” badalada na Quinta Avenida. Como não poderia deixar de ser, tem uma graça nessa decoração aí também:
Tudo muito bonito, muito bacana, mas a essa altura eu já chorava sangue por carregar aquela mochila desde cedo. O peso já tinha aumentado milagrosamente para umas cinco toneladas e eu já nem sentia mais os meus pés e pernas de tanto andar. Ainda assim, tivemos pique de ir até a loja da Virgin na Broadway, que é ótima, muito legal, muito bacana, mas ficou sem foto, porque eu não conseguia fazer mais nada. Saímos direto da Virgin para o McDonald’s 24h mais perto e ficamos ali até as 2h00 (sem consumir nada – tinha esquecido, tomamos chocolate quente e capuccino) até que a Z. finalmente chegasse e nos levasse até sua casa em Long Island.

















