Textos categorizados 'Rockefeller Center'

Sexto dia – 23/12

Brooklyn Bridge, Dallas BBQ, Grand Central, 53rd&3rd, Rockefeller Center. Ou o mais longo dos dias.
O sexto dia dessa viagem vai ser lembrado para sempre como The Longest Day. O plano inicial era fazer o passeio durante o dia e pegar uma carona com a Z., prima da P., à noite, pois dormiríamos na casa dela em Long Island para passarmos o Natal com a família dela. Arrumamos nossas mochilas e rumamos para Manhattan.

Por algum milagre da natureza, o céu se abriu e o sol apareceu. Ele, que não tinha dado as caras desde que cheguei em NY, resolveu aparecer e nos ajudou a programar um pouco melhor o dia, já que os três primeiros passei enfurnado em museus por causa do frio, da neve ou da chuva. Neste dia não choveu, mas tanto a neve como o frio ainda estavam lá, firmes e fortes.

Brooklyn Bridge
Resolvemos começar o dia em Downtown, mais precisamente na Brooklyn Bridge.

Não dá pra ver, mas a ponte é de madeira

Não dá pra ver, mas a ponte é de madeira

Reza a lenda que atravessar a ponte a pé e emendar um tour pelo Brooklyn é um ótimo passeio. Não duvido nem um pouco, pois de fato a ponte é belíssima, bem conservada (para uma ponte fundada em 1883) e a visão que se tem de Manhattan do outro lado do rio deve ser ótima, mas nos contentamos em chegar até a primeira das torres, o que já foi uma aventura incrível, dado o estado do chão e do meu tênis, mais careca que bunda de índio.

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Aproveitando, fica aqui mais uma dica para os marinheiros de primeira viagem na neve: vale a pena investir num bom tênis de trilha e em meias grossas se você quer de fato enfiar o pé na neve sem precisar se preocupar muito com o frio. Eu fui com meu Timberland velho de guerra e algumas meias grossas e não passei aperto. O lance é evitar tênis de corrida, com revestimento em lona, que é leve, mas se molha muito fácil. E andar com a meia molhada na neve não é exatamente a experiência mais agradável do mundo.

Grand Central Station e Dallas BBQ
Saímos da ponte, passamos na Modell’s da Chambers Street (bons preços na época, vale a visita) e pegamos o metrô para a 42nd Street. O objetivo era ir direto ao restaurante, mas já que saímos direto na Grand Central Terminal (e não Station, como eu havia aprendido), por que não aproveitar para tirar umas fotos?

Dá pra ver o relógio onde o Melman do Madagascar enfiou a cabeça?

Dá pra ver o relógio onde o Melman do Madagascar enfiou a cabeça?

A Grand Central, segundo a Wikipedia, é a maior estação de trens do mundo em número de plataformas. Novamente, não duvido. Pela foto dá pra notar a quantidade de gente circulando pelo saguão, vindos de todos os lugares. É somente doze anos mais velha do que a Brooklyn Bridge, o que me faz pensar agora que nesse dia ainda não havia saído do século XIX nos meus passeios. Assim como a ponte, a estação é muito bonita e muito bem conservada, mesmo sendo utilizada diariamente por milhares de pessoas.

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Já devidamente famintos, finalmente fomos conhecer o Dallas BBQ da Times Square, bem perto da Grand Central.

Também fui ao restaurante seguindo uma dica do Nova York para Mãos-de-Vaca (aliás, ótima fonte de referências para pobres que se metem a passear por NY como eu). De fato, trata-se de uma das opções mais baratas de Manhattan. No entanto, como bem avisa o Henry, as porções são grandes. Por isso, pedimos somente um Bar-B-Q Baby Back Ribs com yellow rice, que foi mais do que o suficiente para nós dois. Lembramos do detalhe do tamanho para o prato, mas esquecemos disso na hora de pedir os refrigerantes.

E então, você pede pro garçom uma inocente coca-cola e eles te dão isso:

Um balde, praticamente.

Reparem que há na mão da P. um pedaço de papel rasgado da lâmina do Dallas BBQ. Trata-se disso aqui:

Duas refeições por 10 doletas? É isso mesmo?

Duas refeições por 10 doletas? É isso mesmo?

Fomos obrigados a voltar outro dia para provar o Early Bird Special.

Posso dizer que comer no Dallas BBQ é conhecer um pouco dos EUA. Está tudo lá: o consumo, o exagero, a comida meio picante e ao mesmo tempo sem gosto. Há até uma divisão social do trabalho muito bem definida entre negros e latinos (as duas mãos-de-obra mais abundantes em Manhattan, por sinal). Os negros são os atendentes de primeira linha: vestem calça preta e camisa azul, anotam seu pedido, são atenciosos, perguntam se a comida está a contento e trazem a conta. Os latinos, por sua vez, não abrem a boca. Vestem-se de preto (aparentemente, quanto mais invisíveis, melhor) e fazem o trabalho sujo: limpam as mesas e os banheiros. Não entrei na cozinha, mas imagino que devam ser eles quem lavam os pratos e limpam o chão. Não há brancos trabalhando como garçons. Os únicos que eu vi no restaurante ou eram supervisores/gerentes ou eram clientes.

53rd&3rd, Quinta Avenida, Apple Store, Time Warner Center, Whole Foods
Depois dessa experiência sociológica e devidamente empanturrados com tanta comida e refrigerante, subimos a pé até o cruzamento da 53rd Street com a 3rd Ave e cumpri a primeira parte do meu roteiro Ramonico (que ainda incluía a Joey Ramone Place e o CBGB).

A parte do "standing on the street" teve que ficar de lado, muita gente e muito carro.
Para os incautos que não sabem do que estou falando.

Fomos até a 5th Avenue e continuamos subindo, até que chegamos à caixa mágica da Apple (coro angelical, por favor):

Reparem na escuridão. E ainda eram 4h50 pm.

Reparem na escuridão. E ainda eram 4h50 pm.

5th Ave. Já intransitável.

5th Ave. Já intransitável.

Fiz questão de entrar na caixa (descer, na verdade, a loja toda é no subsolo), mas estava tão apinhado de gente que mal deu para curtir os gadgets. Tinham me falado que a Apple Store seria um bom lugar para poder acessar a web de graça, mas não consegui nenhum macbookzinho livre. No máximo dei uma fuçada num iPod Touch e fomos para o Time Warner Center ali perto, que nada mais é do que um shopping center enjoado na Columbus Circle cheio de lojas super caras.

Lembram-se do vídeo da casa do primeiro dia? Que tal alguma coisa em escala um pouco maior?

Na verdade não entramos no shopping para ver esse festival de luzes, mas para comer. A Z. tinha nos recomendado uma sopa (mais uma) vendida dentro do Whole Foods desse shopping, e resolvemos conferir.

Imagine a seção de alimentos orgânicos/vegetarianos/naturebas/integrais/whatever do Pão de Açúcar que você conhece. Agora imagine um supermercado inteiro só com coisas desse tipo. Aumente um pouco mais o espaço físico da loja e inclua um balcão de comida japonesa (com sushimen fatiandos sashimis na hora), mais um balcão de comida por kilo, outro de sopas prontas e quentinhas, mais uma seção de roupas, cosméticos, tudo “ecologicamente correto”, além de muitos, muitos consumidores e você terá uma idéia do que é o Whole Foods.

Achei esse vídeo aqui que talvez explique melhor.

Pegou o espírito? O que era para ser uma prática inerente à alimentação do ser humano tornou-se mais um nicho de mercado. Aparentemente ninguém mais consegue comprar um rabanete sem correr o risco dele lhe transformar num monstro. Precisamos de um passo-a-passo de como comprar comida saudável. E você só estará completamente seguro das suas escolhas se comprar no Whole Foods. Ou não.

Pegamos sopa, pão e uma salada de frutas, pois tínhamos muito tempo ainda antes da Z. nos pegar.

Vai uma blueberry?

Vai uma blueberry?

Rockefeller Center
Depois da bela refeição, descemos a Sexta Avenida em direção ao Rockefeller Center, não sem antes passar pelo Radio City Music Hall:

Não vimos as Rockettes. Shame on us.

Não vimos as Rockettes. Shame on us.

No caminho, a Nintendo World:

Crianças em processo avançado de lavagem cerebral

Crianças em processo avançado de lavagem cerebral

E, finalmente, a árvore:

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Reparem ao fundo nessa última foto: trata-se da decoração de natal da Saks, “lojinha” badalada na Quinta Avenida. Como não poderia deixar de ser, tem uma graça nessa decoração aí também:

Tudo muito bonito, muito bacana, mas a essa altura eu já chorava sangue por carregar aquela mochila desde cedo. O peso já tinha aumentado milagrosamente para umas cinco toneladas e eu já nem sentia mais os meus pés e pernas de tanto andar. Ainda assim, tivemos pique de ir até a loja da Virgin na Broadway, que é ótima, muito legal, muito bacana, mas ficou sem foto, porque eu não conseguia fazer mais nada. Saímos direto da Virgin para o McDonald’s 24h mais perto e ficamos ali até as 2h00 (sem consumir nada – tinha esquecido, tomamos chocolate quente e capuccino) até que a Z. finalmente chegasse e nos levasse até sua casa em Long Island.


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