Guggenheim Museum, neve e chuva
Andar enquanto a neve cai não é das experiências mais agradáveis que tive na vida. É bonito vê-la de dentro de casa pela janela, mas encará-la na rua é outra coisa. Especialmente quando você precisa andar longas distâncias e com peso nas costas. Andar com guarda-chuva ajuda, mas não muito, porque a neve começa a pesar e você precisa virá-lo de tempos em tempos para descarregá-la.
Depois da tempestade, a coisa piora. Aquela neve que cai nas calçadas se mistura com a sujeira da rua e dos calçados dos pedestres e o resultado é uma massa cinza nojenta que se acumula formando obstáculos pelo caminho. Se a neve começa a derreter e logo depois o tempo esfria novamente, a água congela, e a calçada vira uma pista de patinação instantânea. Saí ileso, mas vi gente cair bonito. Portanto, não se iludam.
A previsão de neve para o dia nos fez programar uma visita para algum museu. Escolhemos o Metropolitan (Met, para os íntimos) por ser o maior, mas a segurança do local não nos deixou entrar por causa do tamanho das nossas mochilas. Eles mesmos sugeriram que fôssemos para o Guggenheim, pois lá aceitariam nossas mochilas e poderíamos voltar ao Met descarregados.
Guggenheim Museum
Seguimos o conselho do segurança e rumamos para o Guggenheim, poucas quadras à frente. Cheio, mas não tanto, ainda permitia uma visita decente. Primeira dica para quem vai a NY: se possível, ande com pouca ou nenhuma bagagem. Quanto menos peso carregar, melhor, porque você provavelmente vai andar MUITO. E no fim do dia, aquela mochilinha que parecia não pesar nada de manhã vai pesar uma tonelada à noite. Certos dias não tive muita opção, pois tínhamos que sair de Orangeburg pela manhã, aproveitar ao máximo o dia em Manhattan para depois tomarmos o rumo de Jersey City, para a casa de amigos – hospedagem de graça irrecusável.
Segunda dica: em qualquer outra situação diferente da minha, se você vier a NY, dê um jeito de se hospedar em Manhattan. Assim você não se arrepende tanto por ter dormido um pouco mais e ter perdido a manhã inteira pegando trem e metrô para o seu destino naquele dia.
O Guggenheim é um desbunde arquitetônico. Aliás, em certos momentos o prédio em si acaba chamando mais atenção do que as obras em exposição. Embora o acervo seja interessante, não chega perto do que vimos nos dias seguintes. Visitamos o Guggenheim inteiro e tomamos uma sopa no meio da tarde por 5 dólares. Sopa, aliás, para quem curte, é a melhor opção para quem quer comer bem e gastar pouco. Pelo menos no inverno. As porções geralmente são generosas (para magros como eu, pelo menos) e você se alimenta, o que já um avanço quando se viaja com pouco dinheiro.
A visita, no entanto, foi mais demorada do que o esperado e acabamos sem tempo para ver o Met. Terceira dica: no inverno, pelo menos, Manhattan anoitece às 16h30. Para quem saiu do Brasil com a noite começando às 19h30, imagine a sensação estranha que é ver o dia acabando quase na hora do almoço.
Jersey City
Assim sendo, pegamos o metrô e o trem para Journal Square, em Jersey City. Podem falar o que quiserem do subway de NY – que é sujo, que as estações são mal conservadas, etc. Ele funciona, e é isso o que interessa no fim das contas. A malha é enorme, você pode ir para onde quiser (downtown ou uptown, principalmente), os trens que eu usei eram limpos e confortáveis, há composições expressas que pulam algumas estações, o que lhe permite uma variedade de opções muito grande (o que confunde um pouco no começo, mas você rapidamente se acostuma). Enfim, um serviço público decente. Compre um Metrocard e seja feliz.
Os trens para New Jersey (chamados de Path Trains) também não deixam nada a desejar. São limpos, pontuais e funcionam como devem. O transporte público em Jersey City também é excelente – principalmente quanto à pontualidade, mas uma coisa curiosa acontece quando você chega à cidade: só há negros. Posso dizer que na linha 87 que sai da estação em Journal Square eu aprendi o que é fazer parte de uma minoria absoluta. Do motorista do ônibus ao passageiro do último banco, todos eram negros, menos eu e a P.. Convivemos com negros o tempo todo no Brasil, mas não me lembro de ter visto tamanha concentração de uma comunidade negra numa só cidade. Não chega a ser difícil imaginar uma explicação para isso, muito menos para o contraste entre a riqueza de Manhattan e a pobreza de Jersey City.





