São Paulo – Houston – NY – Orangeburg

Um ano de planejamento, muitas economias e uma crise econômica depois, chega o dia da partida. Preparei a mochila com o básico, já que as roupas pesadas de frio iriam me encontrar depois em solo americano – levar tudo daqui, além de ocupar muito volume, sairia caro demais. Resolvi acreditar em quem havia me dito para comprar o que precisasse de mais pesado em dólar mesmo.
A viagem já começou com uma correia dentada estourada no carro indo para o aerorporto. Não fosse a antecedência com que saímos (a moça da agência onde comprei a passagem sugeriu que chegasse no aeroporto três horas antes do embarque) e o táxi da seguradora, minha viagem teria terminado antes mesmo de começar. Fiz um check-in com pouco mais de uma hora de antecedência e fui direto para a fila de embarque.
O vôo saiu no horário e foi tranqüilo, sem sustos ou atrasos. O serviço de bordo da Continental não compromete e a comida é de classe econômica de avião, sem falsas expectativas. A conexão em Houston foi feita sem problemas, mas foi bom correr para evitar a fila da Imigração – as esteiras ajudaram bastante nessa hora, use-as sempre. O aeroporto é inacreditavelmente grande – conta até tem um serviço de carrinhos elétricos e um trem que levam os usuários aos portões corretos, já que ir andando pode levar um certo tempo.
A temida imigração
Depois de pegar a fila de non-American citizen, o primeiro oficial com quem você passa é o que determina quanto tempo você vai permanecer nos EUA. Em geral, as perguntas são basicamente as mesmas da entrevista para o visto, então responda somente o que lhe perguntarem e tudo dará certo. Um oficial chicano perguntou-me num inglês macarrônico se eu portava armas de destruição em massa e quanto tempo pretendia ficar. Olhou para a minha cara, tirou minhas digitais e me deu um cartão (o tal I-94) com um carimbo que me deixava ficar até julho/2009. Depois de pegar as malas, um segundo oficial te questiona basicamente sobre comida e produtos agrícolas. Daí é só passar pelo raio-x e você finalmente é um turista legal nos EUA.
Eu não sabia, mas o vôo de conexão para NY já é considerado doméstico, então as coisas mudam. O espaço entre os bancos da classe econômica, inclusive. Por sorte, fiquei sentado numa fileira com três bancos sem ninguém ao meu lado, e desfrutei do sossego merecido.
O frio, finalmente
Passar pela porta giratória da saída do aeroporto de La Guardia lembrou-me dessa cena de “Cool Runnings”, que no Brasil recebeu o nome infame de Jamaica Abaixo de Zero. Não havia nevasca no dia em que cheguei, mas a temperatura não subiu muito além dos 0º C em toda a viagem. Como saímos direto do aeroporto para o ônibus, não houve muito tempo para reclamar do frio.
Orangeburg, NY é uma cidade, segundo o censo de 2007, com 3.494 habitantes. Consegue ser menor do que Guaiçara, no interior de São Paulo, que tem 10.000. Nas áreas residenciais não há muros separando as casas e a maioria são grandes, com jardins e quintais espaçosos. Manhattan fica a cerca de uma hora e meia de ônibus de Orangeburg e seus habitantes conhecem New York simplesmente como “The City”. Mesmo com tantos habitantes, há pouco o que fazer na cidade e o transporte público é, basicamente, intermunicipal. Ter um carro para se locomover é, portanto, imprescindível.
À noite ainda arranjamos tempo para um programa com as outras Au Pairs e amigas da P.. Fomos a um Dunkin’ Donuts – um dos poucos lugares disponíveis para uma troca de presentes de amigo secreto – e no caminho ainda paramos para ver a decoração de natal. Uma placa na frente dessa casa pede que você sintonize uma estação específica no rádio do seu carro. O resultado é o seguinte:
Assustador.




