Arquivo para a categoria 'Museus'

Décimo dia – 27/12

Antes do passeio, mais uma compra.
Apesar da farra consumista do dia anterior, não pude adquirir um dos itens da minha lista de compras no Best Buy – um netbook, justamente um dos itens mais caros, já que lá não havia o modelo que eu queria. Encontramos na Amazon, mas o problema era que faltava somente uma semana para a viagem terminar e eu não queria deixar mais peso para a P. carregar no retorno dela ao Brasil, fora a nossa preocupação com a passagem dela pela alfândega.

A solução foi fazer a encomenda na Amazon na opção de entrega ultra-mega-rápida, pagando uma pequena fortuna pelo frete. A promessa era entrega até dia 29/12 caso a compra fosse realizada até as 10h do dia 27/12. A fim de evitar mais dor de cabeça com o maldito câmbio – que me assombrou desde que essa crise dos infernos começou -, resolvemos que o melhor, ao invés de usar o meu cartão de crédito, seria fazer a compra no cartão de débito da P.. O problema é que na ocasião não havia saldo suficiente.

Havia, portanto, uma corrida contra o tempo. Precisávamos sair cedo de casa no sábado, passar no banco (aberto e funcionando, por sinal, bancos americanos funcionam normalmente aos sábados), depositar o dinheiro, voltar para casa, fazer a compra na Amazon e só depois pegar o ônibus para Manhattan. Tudo a pé, numa caminhada que, juntando ida e volta, somava uns 40 minutos. Num frio de -5ºC e a calçada coberta de neve e/ou gelo.

No fim, tudo deu certo, mas perdemos boa parte da manhã nessa correria. Conseguimos pegar o ônibus e, chegando em Mahattan, encontrei um velho conhecido dos paulistanos. O famigerado engarrafamento.

Traffic Jam, para os intimos

Traffic Jam, para os íntimos

Algumas considerações sobre o trânsito em NY:

1. A relação dos novaiorquinos com o trânsito não é muito diferente daquela que os paulistanos mantém com o tráfego diário. As pessoas ligam o rádio para ouvir o noticiário, as mulheres passam maquiagem, a maioria aproveita para usar o celular. A maior diferença é o conforto. Está um frio do cão lá fora, mas dentro do carro a maioria tem à disposição um bom ar-condicionado aquecedor (a P. me disse que ar-condicionado só serve para esfriar o ar, seria aquecedor nesse caso. Eu achava que ar-condicionado servia para condicionar o ar, ou seja, regulá-lo, controlá-lo ao seu bel prazer, esfriando ou aquecendo o ambiente. Opiniões nos comentários, por favor). Alguns modelos tem até butt warmers nos assentos. Isso mesmo. Aquecedores de bunda. Talvez sejam eles que façam com que as buzinas não sejam tão constantes.

2. Andei algumas vezes de ônibus intermunicipal nas nossas idas e vindas de Orangeburg a Manhattan, peguei tráfego pesado de verdade em poucas dessas viagens. Mas nenhum deles se comparou ao que se enfrenta numa Marginal Tietê às 8h00, por exemplo. Posso ter tido sorte. Exceção feita, claro, à Times Square perto do dia ano-novo. Andar de carro por lá é quase como tentar o mesmo pela 25 de março aos sábados.

3. Não há vendedores ambulantes no meio do trânsito. Não há malabaristas/equilibristas/engolidores de fogo/limpadores de vidro nos faróis. Ninguém coloca saco de plástico com balas e chicletes no seu retrovisor.

4. Não há motoboys, mas sim (poucos) motociclistas, o que é bem diferente. Mesmo no trânsito mais intenso não se ouve aquela buzina de moto o tempo todo. E as motos que surgem no trânsito são todas de grande porte. Nada de CG 125. A ausência de motoboys numa cidade tão grande fez-me perguntar como diabos circulam as encomendas, as pizzas, o sedex, enfim, o dinheiro em NY.

5. Não sei exatamente qual a relação pessoas/carros da cidade, mas a impressão que eu tive é de que há bem menos carros nas ruas de Manhattan do que em São Paulo, muito provavelmente porque o transporte público funciona de fato. A organização das ruas também deve facilitar um pouco a vida do motorista.

6. Táxis. Há milhões deles. Não peguei nenhum yellow cab, mas não foi por falta de oportunidade.

7. Motoristas: ao contrário de São Paulo, os motoristas de ônibus são dos mais pacíficos. Andam numa velocidade honesta e, mesmo em engarrafamentos, não fazem fila dupla. Não ficam, portanto, fechando seus colegas de trabalho para poder pegar ou deixar passageiros no ponto, como é comum na Av. Paulista. Aliás, uma coisa muito bacana dos ônibus de Manhattan é que eles têm um sistema que abaixa a carroceria até que ela fique quase na altura da calçada, facilitando muito o embarque (são os chamados kneeling buses). Os motoristas de táxi, no entanto, são tão escrotos quanto os daqui. Param na esquina, xingam, fecham cruzamentos sem a menor cerimônia.

8. Bicicletas: há algumas. Não tantas quanto eu esperava, provavelmente por causa do frio. Mas são razoavelmente respeitadas.

9. Pedestres: são muitos. Havia muitos turistas no meio, então não dá para ter muita noção do comportamento do pedestre novaiorquino médio. Pelo menos no metrô e nos trens as pessoas esperam você sair do vagão para depois entrarem. Não deveria, mas fiquei impressionado.

Dallas BBQ. De novo.
Chegamos em Manhattan já perto da hora do almoço, então aproveitamos que a Port Authority Terminal fica na 42nd Street e fomos almoçar novamente no Dallas BBQ. Dessa vez para provar o tal do Early Bird Special. Lembram-se?

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Imperdível a oferta. Pedimos então o tal do “Early Bird Special”. Salvo engano, o nome do prato é derivado de uma expressão em inglês que diz “the early bird catches the worm”. Algo como o “Deus ajuda quem cedo madruga” do brasileiro. Na prática, significa que a promoção só não é válida para a janta, pois os horários para o almoço são bem esticados, como é possível ver pelo recorte do menu.

Li no menu “2 rotisseried half chickens” e não levei a sério como deveria. Achei que fossem franguinhos pequenos. Cortados pela metade ainda, deve vir um naco de sobrecoxa e uma coxa, no máximo. Um magrelo faminto como eu comeria sem problemas.

Chama "Early Bird", mas nada tem de comida de passarinho.

Chama Early Bird, mas nada tem de comida de passarinho.

A metade do frango é literalmente metade de um frango mesmo. Pareceu-me, na hora, maior que o chester do Natal. Meio “Early Bird Special” (lembrem-se: são duas refeições iguais a essa aí por promoção) daria com folga para mim e para a P.

Metropolitan. Mais uma vez.
Deixei praticamente metade da refeição no prato e fomos para o Metropolitan, conferir o segundo andar que não pudemos ver na primeira ida ao museu.

Espremedor de limão do Philippe Starck (obrigado, R.), na seção de Arte Moderna

Espremedor de limão do Philippe Starck (obrigado, R.), na seção de Arte Moderna

O saguão de entrada do Metropolitan, lotado como sempre.

O saguão de entrada do Metropolitan, lotado como sempre.

Um armário Ming de verdade.

Um armário Ming de verdade.

Escada de acesso ao térreo.

Escada de acesso ao térreo.

Saímos exaustos, mas muito satisfeitos. Dica do dia: se faltar tempo e você precisar escolher uma área do segundo andar do Metropolitan para se dedicar, vá direto à seção de pinturas européias (Rembrandt, Renoir, Manet, Monet e centenas de outros pintores) e preste atenção às pilastras que separam as salas. Em algumas delas há indicações do tipo “você está aqui”, que ajudam na hora de andar sem se perder.

Quinto dia – 22/12

Museu de História Natural
Viagem de férias é uma coisa estressante. Você está de férias, o que teoricamente significa descanso (algo que definitivamente não tive nos meus primeiros quatro dias em NY, já que não fiz outra coisa a não ser gastar a sola do sapato). Descansar, no meu caso, significa não ter hora para acordar, dormir o quanto quiser. No entanto, embora de férias, você se lembra de que passou o último ano economizando e planejando aqueles míseros 15 dias. Raciocinando um pouco, passar metade deles dormindo seria um desperdício inacreditável.

Saímos o mais cedo que a preguiça nos permitiu nesse dia e rumamos para o American Museum of Natural History. Antes da viagem, a única coisa que eu sabia dele é que o Ross do Friends trabalhava lá.

Há uma saída do metrô praticamente dentro do museu, o que o torna a visita muito cômoda. Principalmente porque o que você não anda fora é imeditamente compensado pelo que se caminha dentro dele. A essa altura do blog, chega a ser redundante dizer que o museu é gigante, mas não falto com a verdade. O saguão na entrada já dá uma idéia de quem são as principais atrações do lugar:

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Isso também já é indício de que não é possível visitar o Museu de História Natural com o mesmo espírito com que se vai ao MoMA ou o Met. O número de crianças presentes logo na entrada te lembra disso, caso você esqueça em algum momento. E embora possa parecer, isso não é uma reclamação. Muito pelo contrário. NY não é uma cidade muito amigável para as crianças. De cabeça, consigo lembrar de cinco atrações além do próprio Museu de História Natural: o zoológico do Central Park (de onde partem Marty, Alex, Gloria e Mellman para a Grand Central Station), a Toys R Us, a loja da M & M’s, a Nintendo World e, no natal, a árvore do Rockefeller Center. Comparado com a quantidade de atrações para os adultos, NY não é o melhor lugar para se visitar ainda criança. Disneyworld ainda ganha de longe.

É preciso, portanto, tirar o máximo de cada atração disponível. E você não é obrigado a ser criança para aproveitar a visita. O acervo é extremamente diversificado. Há, por exemplo, uma galeria dedicada aos animais africanos, outra aos animais aquáticos, uma reservada à pedras preciosas e meteoritos, uma área específica para mostrar os diferentes costumes dos povos asiáticos, africanos, americanos. Uma seção reservada aos répteis. Outra aos mamíferos. Tudo com placas explicativas bem detalhadas. É o tipo de lugar que as escolas norte-americanas devem usar como local para excursões e visitas monitoradas.

Máscara de teatro japonês Nô, da galeria de povos asiáticos

Máscara de teatro japonês Nô, da galeria de povos asiáticos

Hum... Não, melhor ficar no museu mesmo.

Hum... Não, melhor ficar no museu mesmo.

Mas nada supera as galerias dedicadas aos dinossauros. Foi a que mais me chamou a atenção. E na qual mais tempo passei tirando fotos.

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A desculpa esfarrapada para ficar tanto tempo nessa área era que meu sobrinho de 4 anos adora dinossauros. Aproveitei a loja dessa galeria – sim, há uma loja dentro do museu que só vende produtos relacionados a dinossauros – e comprei um T. Rex e uma caixa com várias miniaturas.

Aliás, isso é uma coisa que esqueci de mencionar quando falei dos outros museus: em todos eles, sem exceção, há uma ou mais lojas com todo tipo de souvenir relacionado ao acervo. Não chega a ser uma surpresa, mas vale a lembrança, já que tanto a entrada do Metropolitan como a do Museu de História Natural tem preço sugerido de US$ 20.00. Na prática, você paga quanto quiser. Em ambos fui generoso e paguei US$ 0.50.

Saímos mortos de cansaço do museu, mas ainda reservamos um pouco de energia para conhecer a tal Century 21. Li muito sobre essa loja como uma boa pedida para compra de roupas de inverno. De fato, o lugar tem preços melhores do que o resto de Manhattan, mas não há nada de muito interessante lá dentro se você não tem muito dinheiro para gastar ou se já conseguiu um bom casaco emprestado para os 15 dias de viagem.

Quarto dia – 21/12

Lady Liberty e, finalmente, o Met
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O PATH que sai de Journal Square tem dois terminais em Manhattan: um em Midtown, na 33rd Street, e outro Downtown, no World Trade Center. Ou no que um dia foi o WTC, pelo menos. Fomos para essa última estação nesse dia porque é a que fica mais perto do Staten Island Ferry, uma balsa que atravessa o Rio Hudson até Liberty State Park. O tempo não era dos melhores, mas naquela altura eu já tinha sacado que esperar um dia com céu aberto para tirar uma foto da estátua era ingenuidade demais.

Quem vai a NY querendo ver alguma coisa da área do WTC vai se decepcionar. Não há nada além de tapumes, máquinas e homens trabalhando. O que mais impressiona quando se chega perto é notar o tamanho da área isolada e imaginar que olhando para cima havia antes dois arranha-céus tapando o sol que hoje ilumina a rua.

Achei um vídeo do PATH chegando à estação. É o mais perto que é possível chegar ao Ground Zero:

Saímos da estação e chegamos ao terminal do Ferry.

Frio?

Frio?

Pela foto talvez não dê para perceber, mas são cinco camadas de roupa. Camiseta manga comprida, colete de lã, blusa de lã, blusa mega-boga de fleece, casaco. Fora cachecol, luva, gorro.

Como o Ferry é de graça, passa perto da estátua e visitá-la de perto não era exatamente o meu objetivo, fomos num pé e voltamos noutro.

Faltou zoom na hora. Dá pra saber que é ela?

Faltou zoom na hora. Dá pra saber que é ela?

Parece montagem, mas não é. O frio foi minha testemunha.

Parece montagem, mas não é. O frio foi minha testemunha.

Saímos do Ferry, almoçamos e fomos direto ao Metropolitan, finalmente. Eu já tinha ouvido falar muito do museu e estava muito curioso para saber se ele realmente é tudo aquilo que me disseram. Posso dizer que ele superou qualquer expectativa. Arte egípcia, grega, africana, medieval, americana, moderna, européia. Tem de tudo. Isso só no térreo, que foi o que tivemos pique de visitar no dia.

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Observando todo o acervo, principalmente do Egito, Grécia e Roma Antigas, a primeira sensação é a de se maravilhar e se perguntar como civilizações tão remotas foram capazes de conceber obras tão perfeitas. As esculturas particularmente me chamam muito a atenção pela exatidão do trabalho.

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A segunda pergunta, mais incômoda, é de como diabos tudo aquilo (acreditem, é muita coisa) foi parar ali, em Manhattan, nos Estados Unidos da América.

Não sei de vocês, mas eu só consigo pensar em pilhagem.

Terceiro dia – 20/12

MoMa e Times Square
Que tal acordar num dia de dezembro, pleno verão no Brasil, olhar pela janela e dar de cara com isso?

Sei lá quantas polegadas de neve, tava muito frio

Sei lá quantas polegadas de neve, tava muito frio

A cena se repetiu por mais alguns dias até eu descobrir que o chão do quintal não era grama, mas asfalto. Com tanta neve e previsão de mais frio para o dia, resolvemos rumar para mais um programa indoors. Decidimos pelo MoMa, e o Met ficou para outro dia novamente.

Eu coloco o Museu de Arte Moderna de NY entre os 3 colossos de Manhattan – os outros dois são o próprio Met e o Museu de História Natural. Todos são gigantescos, pelo menos para mim, que nunca havia passado tanto tempo andando dentro de museus na minha vida. Não sou nenhum museum freak, mas curto visitar uma exposição, ler as descrições, prestar atenção num detalhe de uma ou outra obra. Flanar pelo museu não é exatamente o meu modelo de apreciá-lo, mas depois de cinco horas lá dentro, perceber que você ainda não viu tudo dá desespero em qualquer um. A entrada não é barata (US$ 20,00), então é preciso pensar bastante e fazer contas para ver se vale a pena ver tudo num só dia ou se você vê o que der na paz e volta outro dia para conferir o resto.

O acervo permanente do MoMA é enorme. Tem Picasso, Pollock, Paul Klee, Matisse, Andy Warhol, Duchamp, Roy Lichtenstein, etc. Havia muita gente, mas as galerias são inúmeras e bem amplas (é muito fácil se perder sem um mapa do lugar à mão). Na ocasião havia uma exposição especial do Miró que cobria sua produção de 1927 a 1937. Muitas colagens, esculturas e muitas, muitas pinturas.

Não sabia que esse painel era tão grande

Não sabia que esse painel era tão grande

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Mortos de cansaço, saímos do MoMA e seguimos para o PATH passando por Times Square, que nada mais é do que uma faixa da Broadway entre as ruas 50 e 40. Os nomes das ruas com números, aliás, facilitam bastante a vida do turista. Sem isso seria muito mais difícil se locomover por Manhattan.

Times Square pré-reveillon. Ainda habitável.

Times Square pré-reveillon. Ainda habitável.

Não paramos em nenhuma loja nesse dia, mas para quem está acostumado à Lei Cidade Limpa de São Paulo, ver esses luminosos gigantescos pelas ruas é, no mínimo, diferente. Infelizmente o frio era muito grande, e o objetivo era sair da rua e entrar no trem aquecido o mais rápido possível. Deixamos a Broadway para outro dia.

Segundo dia – 19/12

Guggenheim Museum, neve e chuva

A neve que Hollywood não mostra

A neve que Hollywood não mostra


Andar enquanto a neve cai não é das experiências mais agradáveis que tive na vida. É bonito vê-la de dentro de casa pela janela, mas encará-la na rua é outra coisa. Especialmente quando você precisa andar longas distâncias e com peso nas costas. Andar com guarda-chuva ajuda, mas não muito, porque a neve começa a pesar e você precisa virá-lo de tempos em tempos para descarregá-la.

Depois da tempestade, a coisa piora. Aquela neve que cai nas calçadas se mistura com a sujeira da rua e dos calçados dos pedestres e o resultado é uma massa cinza nojenta que se acumula formando obstáculos pelo caminho. Se a neve começa a derreter e logo depois o tempo esfria novamente, a água congela, e a calçada vira uma pista de patinação instantânea. Saí ileso, mas vi gente cair bonito. Portanto, não se iludam.

A previsão de neve para o dia nos fez programar uma visita para algum museu. Escolhemos o Metropolitan (Met, para os íntimos) por ser o maior, mas a segurança do local não nos deixou entrar por causa do tamanho das nossas mochilas. Eles mesmos sugeriram que fôssemos para o Guggenheim, pois lá aceitariam nossas mochilas e poderíamos voltar ao Met descarregados.

Guggenheim Museum

O teto do Guggenheim

O teto do Guggenheim


Seguimos o conselho do segurança e rumamos para o Guggenheim, poucas quadras à frente. Cheio, mas não tanto, ainda permitia uma visita decente. Primeira dica para quem vai a NY: se possível, ande com pouca ou nenhuma bagagem. Quanto menos peso carregar, melhor, porque você provavelmente vai andar MUITO. E no fim do dia, aquela mochilinha que parecia não pesar nada de manhã vai pesar uma tonelada à noite. Certos dias não tive muita opção, pois tínhamos que sair de Orangeburg pela manhã, aproveitar ao máximo o dia em Manhattan para depois tomarmos o rumo de Jersey City, para a casa de amigos – hospedagem de graça irrecusável.

Segunda dica: em qualquer outra situação diferente da minha, se você vier a NY, dê um jeito de se hospedar em Manhattan. Assim você não se arrepende tanto por ter dormido um pouco mais e ter perdido a manhã inteira pegando trem e metrô para o seu destino naquele dia.

O Guggenheim é um desbunde arquitetônico. Aliás, em certos momentos o prédio em si acaba chamando mais atenção do que as obras em exposição. Embora o acervo seja interessante, não chega perto do que vimos nos dias seguintes. Visitamos o Guggenheim inteiro e tomamos uma sopa no meio da tarde por 5 dólares. Sopa, aliás, para quem curte, é a melhor opção para quem quer comer bem e gastar pouco. Pelo menos no inverno. As porções geralmente são generosas (para magros como eu, pelo menos) e você se alimenta, o que já um avanço quando se viaja com pouco dinheiro.

A visita, no entanto, foi mais demorada do que o esperado e acabamos sem tempo para ver o Met. Terceira dica: no inverno, pelo menos, Manhattan anoitece às 16h30. Para quem saiu do Brasil com a noite começando às 19h30, imagine a sensação estranha que é ver o dia acabando quase na hora do almoço.

Jersey City
Assim sendo, pegamos o metrô e o trem para Journal Square, em Jersey City. Podem falar o que quiserem do subway de NY – que é sujo, que as estações são mal conservadas, etc. Ele funciona, e é isso o que interessa no fim das contas. A malha é enorme, você pode ir para onde quiser (downtown ou uptown, principalmente), os trens que eu usei eram limpos e confortáveis, há composições expressas que pulam algumas estações, o que lhe permite uma variedade de opções muito grande (o que confunde um pouco no começo, mas você rapidamente se acostuma). Enfim, um serviço público decente. Compre um Metrocard e seja feliz.

Os trens para New Jersey (chamados de Path Trains) também não deixam nada a desejar. São limpos, pontuais e funcionam como devem. O transporte público em Jersey City também é excelente – principalmente quanto à pontualidade, mas uma coisa curiosa acontece quando você chega à cidade: só há negros. Posso dizer que na linha 87 que sai da estação em Journal Square eu aprendi o que é fazer parte de uma minoria absoluta. Do motorista do ônibus ao passageiro do último banco, todos eram negros, menos eu e a P.. Convivemos com negros o tempo todo no Brasil, mas não me lembro de ter visto tamanha concentração de uma comunidade negra numa só cidade. Não chega a ser difícil imaginar uma explicação para isso, muito menos para o contraste entre a riqueza de Manhattan e a pobreza de Jersey City.


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