Antes do passeio, mais uma compra.
Apesar da farra consumista do dia anterior, não pude adquirir um dos itens da minha lista de compras no Best Buy – um netbook, justamente um dos itens mais caros, já que lá não havia o modelo que eu queria. Encontramos na Amazon, mas o problema era que faltava somente uma semana para a viagem terminar e eu não queria deixar mais peso para a P. carregar no retorno dela ao Brasil, fora a nossa preocupação com a passagem dela pela alfândega.
A solução foi fazer a encomenda na Amazon na opção de entrega ultra-mega-rápida, pagando uma pequena fortuna pelo frete. A promessa era entrega até dia 29/12 caso a compra fosse realizada até as 10h do dia 27/12. A fim de evitar mais dor de cabeça com o maldito câmbio – que me assombrou desde que essa crise dos infernos começou -, resolvemos que o melhor, ao invés de usar o meu cartão de crédito, seria fazer a compra no cartão de débito da P.. O problema é que na ocasião não havia saldo suficiente.
Havia, portanto, uma corrida contra o tempo. Precisávamos sair cedo de casa no sábado, passar no banco (aberto e funcionando, por sinal, bancos americanos funcionam normalmente aos sábados), depositar o dinheiro, voltar para casa, fazer a compra na Amazon e só depois pegar o ônibus para Manhattan. Tudo a pé, numa caminhada que, juntando ida e volta, somava uns 40 minutos. Num frio de -5ºC e a calçada coberta de neve e/ou gelo.
No fim, tudo deu certo, mas perdemos boa parte da manhã nessa correria. Conseguimos pegar o ônibus e, chegando em Mahattan, encontrei um velho conhecido dos paulistanos. O famigerado engarrafamento.
Algumas considerações sobre o trânsito em NY:
1. A relação dos novaiorquinos com o trânsito não é muito diferente daquela que os paulistanos mantém com o tráfego diário. As pessoas ligam o rádio para ouvir o noticiário, as mulheres passam maquiagem, a maioria aproveita para usar o celular. A maior diferença é o conforto. Está um frio do cão lá fora, mas dentro do carro a maioria tem à disposição um bom ar-condicionado aquecedor (a P. me disse que ar-condicionado só serve para esfriar o ar, seria aquecedor nesse caso. Eu achava que ar-condicionado servia para condicionar o ar, ou seja, regulá-lo, controlá-lo ao seu bel prazer, esfriando ou aquecendo o ambiente. Opiniões nos comentários, por favor). Alguns modelos tem até butt warmers nos assentos. Isso mesmo. Aquecedores de bunda. Talvez sejam eles que façam com que as buzinas não sejam tão constantes.
2. Andei algumas vezes de ônibus intermunicipal nas nossas idas e vindas de Orangeburg a Manhattan, peguei tráfego pesado de verdade em poucas dessas viagens. Mas nenhum deles se comparou ao que se enfrenta numa Marginal Tietê às 8h00, por exemplo. Posso ter tido sorte. Exceção feita, claro, à Times Square perto do dia ano-novo. Andar de carro por lá é quase como tentar o mesmo pela 25 de março aos sábados.
3. Não há vendedores ambulantes no meio do trânsito. Não há malabaristas/equilibristas/engolidores de fogo/limpadores de vidro nos faróis. Ninguém coloca saco de plástico com balas e chicletes no seu retrovisor.
4. Não há motoboys, mas sim (poucos) motociclistas, o que é bem diferente. Mesmo no trânsito mais intenso não se ouve aquela buzina de moto o tempo todo. E as motos que surgem no trânsito são todas de grande porte. Nada de CG 125. A ausência de motoboys numa cidade tão grande fez-me perguntar como diabos circulam as encomendas, as pizzas, o sedex, enfim, o dinheiro em NY.
5. Não sei exatamente qual a relação pessoas/carros da cidade, mas a impressão que eu tive é de que há bem menos carros nas ruas de Manhattan do que em São Paulo, muito provavelmente porque o transporte público funciona de fato. A organização das ruas também deve facilitar um pouco a vida do motorista.
6. Táxis. Há milhões deles. Não peguei nenhum yellow cab, mas não foi por falta de oportunidade.
7. Motoristas: ao contrário de São Paulo, os motoristas de ônibus são dos mais pacíficos. Andam numa velocidade honesta e, mesmo em engarrafamentos, não fazem fila dupla. Não ficam, portanto, fechando seus colegas de trabalho para poder pegar ou deixar passageiros no ponto, como é comum na Av. Paulista. Aliás, uma coisa muito bacana dos ônibus de Manhattan é que eles têm um sistema que abaixa a carroceria até que ela fique quase na altura da calçada, facilitando muito o embarque (são os chamados kneeling buses). Os motoristas de táxi, no entanto, são tão escrotos quanto os daqui. Param na esquina, xingam, fecham cruzamentos sem a menor cerimônia.
8. Bicicletas: há algumas. Não tantas quanto eu esperava, provavelmente por causa do frio. Mas são razoavelmente respeitadas.
9. Pedestres: são muitos. Havia muitos turistas no meio, então não dá para ter muita noção do comportamento do pedestre novaiorquino médio. Pelo menos no metrô e nos trens as pessoas esperam você sair do vagão para depois entrarem. Não deveria, mas fiquei impressionado.
Dallas BBQ. De novo.
Chegamos em Manhattan já perto da hora do almoço, então aproveitamos que a Port Authority Terminal fica na 42nd Street e fomos almoçar novamente no Dallas BBQ. Dessa vez para provar o tal do Early Bird Special. Lembram-se?
Imperdível a oferta. Pedimos então o tal do “Early Bird Special”. Salvo engano, o nome do prato é derivado de uma expressão em inglês que diz “the early bird catches the worm”. Algo como o “Deus ajuda quem cedo madruga” do brasileiro. Na prática, significa que a promoção só não é válida para a janta, pois os horários para o almoço são bem esticados, como é possível ver pelo recorte do menu.
Li no menu “2 rotisseried half chickens” e não levei a sério como deveria. Achei que fossem franguinhos pequenos. Cortados pela metade ainda, deve vir um naco de sobrecoxa e uma coxa, no máximo. Um magrelo faminto como eu comeria sem problemas.
A metade do frango é literalmente metade de um frango mesmo. Pareceu-me, na hora, maior que o chester do Natal. Meio “Early Bird Special” (lembrem-se: são duas refeições iguais a essa aí por promoção) daria com folga para mim e para a P.
Metropolitan. Mais uma vez.
Deixei praticamente metade da refeição no prato e fomos para o Metropolitan, conferir o segundo andar que não pudemos ver na primeira ida ao museu.
Saímos exaustos, mas muito satisfeitos. Dica do dia: se faltar tempo e você precisar escolher uma área do segundo andar do Metropolitan para se dedicar, vá direto à seção de pinturas européias (Rembrandt, Renoir, Manet, Monet e centenas de outros pintores) e preste atenção às pilastras que separam as salas. Em algumas delas há indicações do tipo “você está aqui”, que ajudam na hora de andar sem se perder.
































