Esqueceram de mim
A princípio, a host mother da P. havia dado as duas semanas da minha viagem de folga para ela, mas a minha namorada/au pair acabou tendo que trabalhar naquela segunda-feira e metade da terça-feira pré-reveillón (esse hífen ainda existe?). Ela não ficou nem um pouco contente com isso, mas patrão é patrão em qualquer lugar.
Com isso, ganhei um dia e meio para me virar por Manhattan sem a P.. Ir a NY com uma guia, aliás, foi um luxo que pouca gente tem. Ela já havia visitado vários dos lugares que visitamos até aquele dia, o que nos poupou tempo na hora de andar pela ilha. Mais do que isso, a P. sabia como funcionavam os metrôs e os ônibus de NY – chegar em um local desconhecido e ter alguém para lhe ensinar quais linhas do metrô são expressas ou em qual portão esperar a linha certa de ônibus intermunicipal são as vantagens que tive nessa viagem e pelas quais serei eternamente grato.
Por conta das circustâncias, portanto, arrumei minha mochila e peguei o ônibus sozinho de Orangeburg em direção à rodoviária de Port Authority. Queria aproveitar o tempo bom para finalmente conhecer o Central Park.
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Port Authority Bus Terminal, via Street view do Google Maps. Repare na estrutura metálica. É nessa gaiola que ficam os portões onde você espera os ônibus. A propósito, se você nunca viu essa ferramenta do Google, aproveite para passear com o mouse pela 8th Ave. Basta clicar nas setas que surgirem no meio da imagem. Mude o ângulo de visão pela setas. Se quiser, clique no “view larger map” acima e aproveite. Have fun!
Columbus Circle
Subi a 8th Ave. a pé até chegar à Columbus Circle, monumento criado no início do século XX em homenagem ao homem que pôs um ovo em pé.
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As fotos a seguir foram tiradas da praça à direita nessa imagem. Deu para perceber que eu gostei dessa brincadeira com o Street View? Pretendo usar mais daqui pra frente, deveria ter usado nos posts anteriores também.
Dá para ver as estrelas da decoração de Natal dentro do Time Warner Center? São as mesmas do vídeo que postei no sexto dia.

8th Ave vista da Columbus Circle. Uma das fotos que eu mais gostei. Pra ficar com mais cara de NY, só faltou a fumaça saindo de algum bueiro.
Central Park
Atravessei a rua e comecei a visita pelo Central Park. O que mais impressiona, novamente, é o tamanho do dito cujo. Andei por cerca de três horas tirando fotos e não cheguei a conhecei sequer 1/5 dele. E, pela última vez, o Central Park não é tão grande quanto o Parque Ibirapuera em São Paulo. O parque novaiorquino é muito maior do que o nosso parque com nome indígena. Dez vezes, para ser mais exato (o Ibirapuera tem 1.584 km2; o Central Park, 11.2 km2). Perto do Central Park, o Ibirapuera parece um playground de condomínio tamanha a variedade de espaços, monumentos, lagos, etc.

Área coberta por pedras que serve como um mirante. Pode-se ver uma pequena parte do parque daí. O resto só batendo muita perna.
Não dá para calcular a quantidade média de visitantes no Central Park pela única visita que fiz no fim do ano (muito frio e turistas aos montes pelo parque), mas eu imagino que o novaiorquino padrão deve (ou deveria, pelo menos) aproveitar muito bem esse espaço verde no meio da ilha. O acesso é muito fácil (há estações de metrô ao redor de todo o parque), no geral é bem conservado e, como ele é gigante, imagino que, mesmo que haja uma circulação absurda de pessoas nos fins de semana (no verão, por exemplo), a muvuca se disperse pelas várias opções de espaços diferentes disponíveis.

Tenho a impressão de ter visto essa ponte em algum filme - sentimento recorrente em cada lugar que você passa pelo parque.
Strawberry Fields
Dica do dia (1): O acesso mais fácil ao memorial em homenagem à John Lennon é pela Central Park West, na altura da 72nd St. Se você quer ir direto até lá, não faça o caminho pelo parque. É muito mais longo.

O mosaico foi doado pela cidade de Nápoles, mas a grana para montar essa área do Central Park foi doada pela Yoko Ono. 1 milhão de doletas. Haja disco dos Beatles pra pagar essa obra.
Tavern on the Green. Ou não.
A fome começou a apertar. Saí do Strawberry Fields e desci até o Tavern on the Green, um restaurante dentro do parque.

Há ruas que cruzam o parque. Não sei se o acesso é limitado a carros de bombeiros, bicicletas e táxis. O fato é que não me lembro de veículos de passeio rodando lá dentro. Pode ser só minha memória mesmo.
Dizem que a comida é ótima e que vale a pena uma visita. Mas já comecei a me sentir deslocado logo na entrada. Limosines estacionadas do lado de fora, senhoras vestidas com garbo e elegância na fila de espera. E eu, todo maltrapilho, mochilão nas costas, o tênis sujo de barro (dica do dia (2): evite pisar, durante o inverno, em qualquer área coberta por grama, pois a chance de você afundar o pé inteiro na lama é grande).
Cheguei até o hall de espera e olhei os preços no cardápio disponível, provavelmente, para incautos como eu. Imediatamente dei meia volta e fui (adivinhem) tomar uma sopa de US$ 4.29 no Whole Foods do Time Center de novo, deixando um rastro de barro pelo caminho.
O YouTube dá uma mãozinha a quem ficou com vontade de saber como é lá dentro.
O que me consola é que eu não era o único a recorrer à sopa do Whole Foods. O lugar estava apinhado de turistas e executivos em busca de uma opção um pouco mais em conta para o almoço. Dica do dia (3): o Time Center, além da sopa no Whole Foods, também tem um banheiro limpo e espaçoso. Na hora do aperto, vale a pena correr até lá.
The Plaza
Lembram-se do hotel onde Kevin McAlister se hospeda em Esqueceram de Mim 2?
Aí está, The Plaza:
Ouvi dizer que houve um tempo, lá por meados da década de 80, em que NY não era esse glamour todo que se vê hoje em dia. Era uma época em que a Times Square era dominada por prostitutas e cafetões, cheia de lugares suspeitos. Nessa época também era possível pagar uma diária no The Plaza sem se afundar em dívidas. O atendimento não era lá essas coisas, mas o hotel é do lado do Central Park, valia a pena.
Bons tempos que não voltam mais.

Carroças. Há várias delas passeando ao redor e dentro do parque. Se a P. estivesse comigo, talvez valesse a pena pagar uma pequena fortuna pro sujeito levar a gente pelo parque inteiro, mas sozinho, que graça tem?
Peguei o metrô para Downtown e, no caminho para a Strand, passei procurando novamente pela placa da Joey Ramone Place no cruzamento da East 2nd St com a Bowery St. Nada.

Só para deixar registrado que passei por lá. Esse é um dos postes com placas, olhei todos eles. FAIL.
Sou brasileiro e não desisto nunca. Também voltei à Saint Mark’s Place para ver se achava a lojinha do CBGB, como nessa foto do Google Street View:
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Mesmo local, minha versão:
Só me restou ir até a Strand Book Store e passar o resto da tarde lá dentro, procurando livros para a minha pesquisa.
Na entrada você consegue um mapa da loja, o que facilita um pouco a visita. O estabelecimento é quase centenário e o acervo é imenso. A sensação de desordem logo some quando você sabe o que quer e encontra a prateleira correspondente. Então, como em qualquer compra, não entre na loja a esmo, senão você passa o dia inteiro lá. Sério.
As prateleiras são altas, mas há escadas disponíveis para quem quiser alcançar as prateleiras superiores. Do lado de fora da loja eles colocam os livros em promoção em carrinhos. Se você tiver paciência, talvez encontre algumas pechinchas por lá.
Para quem gosta de ler, essa livraria é um paraíso na Terra. É muito mais fácil encontrar as coisas aqui do que nos sebos do centro de São Paulo, os preços são convidativos e o atendimento é muito bom. Não comprei mais livros porque comecei a temer pelo peso da minha mala na volta, então pratiquei o desapego e precisei escolher entre aqueles que me interessaram.
Além de tudo isso, acabei de descobrir que a loja também tem uma certa preocupação social.









































