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Décimo-terceiro dia – 30/12

Esqueceram de mim 2
Depois de sobreviver ao primeiro dia sozinho em Manhattan, senti-me mais confiante e arrisquei um passeio por outras áreas ainda não visitadas. A viagem já estava chegando ao fim e esse seria o último dia que poderia ser plenamente aproveitado batendo perna pela ilha, já que os planos a partir dali eram ajeitar as coisas para o ano-novo e, logo em seguida, arrumar as malas para a volta.

A essa altura da viagem eu já havia me acostumado com o percurso ônibus em NJ > trem > metrô em Manhattan. Ser minoria em meio aos negros no ônibus Jersey City também já não me causava tanto estranhamento. O que ainda era difícil encarar com naturalidade era o famigerado frio. Você acaba aprendendo, por bem ou por mal, a lidar com ele depois de 13 dias, mas meu queixo continuava sendo a parte mais fria do meu corpo depois de um tempo andando de cara pro vento.

Jack’s – o R$ 1,99 de Manhattan
A primeira parada do dia foi uma das lojas da rede Jack’s, dica anotada desse post do maosdevaca.com.


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Jack’s da 32nd St. Não fui nos outros, mas acho que deve ser o maior deles.

O Jack’s nada mais é do que um R$ 1,99 aqui do Brasil maior e pouca coisa mais organizado. A grande diferença está mesmo na qualidade das mercadorias que é possível encontrar lá dentro e no preço em comparação com o resto das lojas da ilha. Há desde material de limpeza e escolar até barras de chocolate suíço sendo vendidas a preço de banana. Seja esperto e dê uma pesquisada nessa loja antes de sair gastando os tubos Manhattan afora. Como o meu relógio havia quebrado, aproveitei para comprar um Casio ali por US$ 9,99. Está funcionando até hoje, a propósito.

Madison Square Garden
Saindo do Jack’s, segui pela 32nd St até o Madison Square Garden, ou simplesmente The Garden, como eles chamam por lá.

Entrada do MSG. À direita, a entrada da Penn Station.

Entrada do MSG. À direita, a entrada da Penn Station.

Cansei de ouvir sobre esse ginásio na época em que acompanhava com mais afinco os jogos da NBA no início da década de 90, época em que Barkley, Jordan, Magic Johnson, Pat Ewing e cia. me faziam ligar a TV para assistir a um jogo de basquete. De lá pra cá a NBA perdeu, para mim, um pouco do brilho de outrora, e acabei deixando-a de lado. Mesmo assim, uma visita ao estádio do New York Knicks era uma obrigação nessa viagem.

Hall de entrada. Acima, o anúncio do show do Cirque du Soleil.

Hall de entrada. Acima, o anúncio do show do Cirque du Soleil.

Painel de fotos com as atrações que o MSG já abrigou. Jogos de basquete, hockey, lutas de boxe, luta-livre, shows de música. Faz-se de tudo lá dentro.

Painel de fotos com as atrações que o MSG já abrigou. Jogos de basquete, hockey, lutas de boxe, luta-livre, shows de música. Faz-se de tudo lá dentro.

No dia em que visitei o estádio, haveria um jogo do Knicks à noite, então as visitas monitoradas ao interior do estádio estavam limitadas a somente um pedaço do tour normalmente feito, que custa US$ 18,00. Achei muito caído entrar no estádio sem ver jogo algum e fui embora.

Detalhe do azulejo da escadaria de acesso à bilheteria, com mensagens dos torcedores dos Knicks (basquete) e Rangers (hockey). Não perguntei, mas desconfio que o direito de escrever mensagens em cada azulejo desses deva custar uma pequena fortuna.

Detalhe do azulejo da escadaria de acesso à bilheteria, com mensagens dos torcedores dos Knicks (basquete) e Rangers (hockey). Não perguntei, mas desconfio que o direito de escrever mensagens em cada azulejo desses deva custar uma pequena fortuna.

United States Post Office e os policiais
Saindo do MSG, dei a volta até a parte de trás do estádio e encontrei o prédio dos Correios Norte-Americano na 8th Ave, um dos que mais gostei de tirar fotos.


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Não sabia que o prédio passou por uma reforma, acabei descobrindo isso agora. Gire a imagem para a esquerda e você vai ver a Penn Station com o MSG ao fundo

O prédio (gigante) dos Correios.

O prédio (gigante) dos Correios.

A escadaria e os turistas descansando.

A escadaria e os turistas descansando.

Todo mundo que já viu essa foto acima diz que parece saída de algum filme de tribunal de Hollywood, estilo Questão de Honra. Você também tem essa impressão?

Depois de algum tempo tirando fotos do prédio, estava quase saindo do local quando vi, saindo do MSG e atravessando a rua, centenas de policiais fardados.

Gambés chegando. WTF?

Gambés chegando. WTF?

E não paravam de chegar. Aos montes. Pouco tempo depois a escadaria do prédio estava abarrotada de policiais fazendo festa, falando ao celular chamando as pessoas para o local e tirando fotos. Aproveitei a oportunidade para tirar as minhas também.

Digam cheese.

Digam cheese.

Vi no noticiário da CNN depois que havia ocorrido naquela manhã uma formatura do departamento de polícia de New York (a famosa NYPD) no MSG. Por isso a farda e as fotos na escadaria do prédio.

A escadaria já completamente abarrotada de policiais.

A escadaria já completamente abarrotada de policiais.

B&H Superstore
Saí do meio dos policiais e fui até a 9th Ave, onde encontrei a B&H Superstore. Ouvi falar muito bem dessa loja e guardei um pedaço do dia para pesquisar preços e conhecer o lugar. O objetivo era procurar um MP3 Player e um case para o netbook que havia comprado na Amazon.


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Fachada da B&H na 9th Ave. Indo à direita você encontra a parte de trás do prédio dos Correios.

Resumindo bem, a B&H é para os geeks o que a Forbidden Planet é para os nerds. Quem curte equipamentos eletrônicos de todos os tipos (fotográfico, de som ou de vídeo) vai encontrar aqui tudo o que quer e com bom preços. A loja é enorme, e na ocasião estava bem cheia, mas é a mais organizada que já vi na minha vida. Há vendedores aos montes (99% judeus) e todos com que conversei, pelo menos, souberam me atender muito bem. Nenhum deles tentou me empurrar mercadoria alguma, só tirou dúvidas (muito bem, diga-se de passagem) sobre aquilo que eu perguntei, o que já é um avanço.

A atração da loja, no entanto, são os elevadores e esteiras que correm pelos balcões de atendimento e o teto do térreo, levando as mercadorias pelas seções da loja. O processo é mais ou menos o seguinte: depois que você escolhe o que quer comprar, o vendedor imprime e lhe entrega uma página com a descrição do produto. Você leva essa página ao balcão mais próximo e o atendente solicita o produto ao estoque via computador. Em questão de poucos segundos a esteira embaixo do balcão traz uma caixa de papelão com o produto que você escolheu. O atendente mostra a mercadoria, pergunta se está tudo ok com o pedido, devolve a peça na esteira (que a leva para o setor de pacotes) e imprime um ticket. Cada seção tem seu balcão específico e o processo se repete até que você tenha todos os tickets do que quer comprar em mãos. Depois de pagar todos eles no caixa, você passa com o comprovante no setor de pacotes e pega tudo o que comprou de uma vez.

É mais fácil entender tudo isso vendo o vídeo institucional da loja.

Em última análise, é um esquema industrial de produção em série (com as esteiras, inclusive). A diferença é que na indústria os operários produzem a mercadoria em si, pedaço por pedaço. Na B&H as mercadorias já estão prontas, não há o que produzir a não ser mais-valia.

Burger King, Biblioteca Pública e Port Authority Terminal
Saí da B&H feliz com meu case, MP3 Player e com fome. Havia várias opções de fast food por perto (Arby’s, Wendy’s, McDonald’s), acabei escolhendo o Burger King por ser o mais vazio. Nessa lanchonete percebi que ainda preciso estudar um pouco mais de inglês para conseguir compreender o que a atendente latina dizia. Demorei meia-hora até conseguir entender que ela queria saber se eu gostaria de levar só um Whooper ou o menu completo. Também foi nesse Burger King que recebi o lanche no fatídico saco que serviu de inspiração para o nome desse blog.

Algumas centenas de calorias depois, minha intenção era de, no caminho para a Biblioteca Pública, subir o Empire State, mas desisti assim que dei de cara com o tamanho da fila, que dava a volta no quarteirão do edifício. Quanto mais o fim do ano chegava, mais inchada de turistas a cidade ficava. Se eu tivesse passado por ali logo que cheguei em NY talvez tivesse pegado uma fila menor. Como deixei para o fim da viagem, optei por deixar essa visita para uma próxima vez.

Fachada da Biblioteca Pública.

Fachada da Biblioteca Pública.

O certo, como bom pesquisador, teria sido passar boa parte do dia (quiçá da viagem toda) usufruindo do direito de consultar o acervo dessa biblioteca. Mas o lado turista falou mais alto, acabei ficando bem menos tempo do que deveria ali.

Interior da biblioteca. Chão, paredes, escadas, tudo de mármore.

Interior da biblioteca. Chão, paredes, escadas, tudo de mármore.

Pelo menos tive a oportunidade de visitar uma exposição sobre a comunidade artística norte-americana Yaddo, fundada no início do século XX e sobre a qual nunca ouvi falar.

A hora de encontrar a P. na rodoviária estava chegando, então juntei minhas coisas e fui até a Port Authority novamente esperá-la por lá.

Alguns dos cartazes espalhados pelo terminal:

Fique alerta. Esteja atento. Fale. Não hesite em informar sobre atividades suspeitas.

Fique alerta. Esteja atento. Fale. Não hesite em informar sobre atividades suspeitas.

Não se afaste. Não deixe suas coisas sozinhas. E se vir qualquer coisa abandonada, informe.

Não se afaste. Não deixe suas coisas sozinhas. E se vir qualquer coisa abandonada, informe.

B&H de novo
Assim que a P. chegou com meu netbook recém-entregue pela Amazon, descobri que eles enviaram de brinde um case, tornando automaticamente inútil aquele que eu havia comprado pela manhã na B&H. Voltamos e resolvemos colocar à prova o sistema de troca/devolução de mercadorias nas lojas sobre o qual tanto havia ouvido falar. O cidadão norte-americano tem ao seu lado uma lei que obriga as lojas a devolver o dinheiro ao consumidor insatisfeito ou trocar a mercadoria por uma outra dentro de um determinado espaço de tempo. É o “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta” levado ao pé da letra. A cama inflável na qual durmimos em Jersey City (comprada pelos nossos anfitriões exclusivamente para o período em que estivéssemos por lá) também seria devolvida nesse esquema.

Na B&H há uma porta na calçada exclusiva para esse tipo de transação. E não éramos os únicos na hora a realizar a troca. O atendente pegou o case, perguntou o motivo da troca e nos deu a opção de devolver o valor em dinheiro ou em créditos para gastar na loja. Como a P. precisava de um mouse sem fio, pegamos um ticket com os créditos e usamos para fazer mais uma compra na loja. Tudo rápido e sem maiores problemas. Quem dera fosse assim no Brasil.

Times Square, Hershey’s Store e M&M’s World
Saindo da B&H, aproveitamos o tempo que restava para uma última passada na Times Square. O ano-novo seria só no dia seguinte, mas aquilo já estava apinhado de gente, carros, máquinas de som e barreiras da polícia.

O circo armado para o dia seguinte.

O circo armado para o dia seguinte.

Quem me conhece sabe do meu apreço pelas muvucas. Infelizmente foi preciso passar por esse pequeno desconforto para tentar chegar às lojas da Hershey’s e da M&M’s.


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Hershey’s Store – perto da M&M’s World, parece uma bomboniere

Entramos em estilo rugby pela loja só o suficiente para que eu me decepcionasse com o tamanho diminuto daquilo. Saímos com algum esforço, atravessamos a rua e vimos uma loja de chocolates de verdade.


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Também lotada na ocasião, mas bem mais transitável que a da Hershey’s

Não sou chocólatra, mas mesmo assim babei nos chocolates da loja, que vende também todo e qualquer tipo de souvenir relacionado aos M&M’s.

Foto tirada do site do escritório de arquitetura responsável pelo desenho da loja.

Uma parede de M&M's?

Uma parede de M&Ms?

Saturday Night Fever

Saturday Night Fever

Na saída, finalmente conseguimos comprar o pretzel que a P. queria há dois dias.

Também achei um exagero.

Também achei um exagero.

Décimo dia – 27/12

Antes do passeio, mais uma compra.
Apesar da farra consumista do dia anterior, não pude adquirir um dos itens da minha lista de compras no Best Buy – um netbook, justamente um dos itens mais caros, já que lá não havia o modelo que eu queria. Encontramos na Amazon, mas o problema era que faltava somente uma semana para a viagem terminar e eu não queria deixar mais peso para a P. carregar no retorno dela ao Brasil, fora a nossa preocupação com a passagem dela pela alfândega.

A solução foi fazer a encomenda na Amazon na opção de entrega ultra-mega-rápida, pagando uma pequena fortuna pelo frete. A promessa era entrega até dia 29/12 caso a compra fosse realizada até as 10h do dia 27/12. A fim de evitar mais dor de cabeça com o maldito câmbio – que me assombrou desde que essa crise dos infernos começou -, resolvemos que o melhor, ao invés de usar o meu cartão de crédito, seria fazer a compra no cartão de débito da P.. O problema é que na ocasião não havia saldo suficiente.

Havia, portanto, uma corrida contra o tempo. Precisávamos sair cedo de casa no sábado, passar no banco (aberto e funcionando, por sinal, bancos americanos funcionam normalmente aos sábados), depositar o dinheiro, voltar para casa, fazer a compra na Amazon e só depois pegar o ônibus para Manhattan. Tudo a pé, numa caminhada que, juntando ida e volta, somava uns 40 minutos. Num frio de -5ºC e a calçada coberta de neve e/ou gelo.

No fim, tudo deu certo, mas perdemos boa parte da manhã nessa correria. Conseguimos pegar o ônibus e, chegando em Mahattan, encontrei um velho conhecido dos paulistanos. O famigerado engarrafamento.

Traffic Jam, para os intimos

Traffic Jam, para os íntimos

Algumas considerações sobre o trânsito em NY:

1. A relação dos novaiorquinos com o trânsito não é muito diferente daquela que os paulistanos mantém com o tráfego diário. As pessoas ligam o rádio para ouvir o noticiário, as mulheres passam maquiagem, a maioria aproveita para usar o celular. A maior diferença é o conforto. Está um frio do cão lá fora, mas dentro do carro a maioria tem à disposição um bom ar-condicionado aquecedor (a P. me disse que ar-condicionado só serve para esfriar o ar, seria aquecedor nesse caso. Eu achava que ar-condicionado servia para condicionar o ar, ou seja, regulá-lo, controlá-lo ao seu bel prazer, esfriando ou aquecendo o ambiente. Opiniões nos comentários, por favor). Alguns modelos tem até butt warmers nos assentos. Isso mesmo. Aquecedores de bunda. Talvez sejam eles que façam com que as buzinas não sejam tão constantes.

2. Andei algumas vezes de ônibus intermunicipal nas nossas idas e vindas de Orangeburg a Manhattan, peguei tráfego pesado de verdade em poucas dessas viagens. Mas nenhum deles se comparou ao que se enfrenta numa Marginal Tietê às 8h00, por exemplo. Posso ter tido sorte. Exceção feita, claro, à Times Square perto do dia ano-novo. Andar de carro por lá é quase como tentar o mesmo pela 25 de março aos sábados.

3. Não há vendedores ambulantes no meio do trânsito. Não há malabaristas/equilibristas/engolidores de fogo/limpadores de vidro nos faróis. Ninguém coloca saco de plástico com balas e chicletes no seu retrovisor.

4. Não há motoboys, mas sim (poucos) motociclistas, o que é bem diferente. Mesmo no trânsito mais intenso não se ouve aquela buzina de moto o tempo todo. E as motos que surgem no trânsito são todas de grande porte. Nada de CG 125. A ausência de motoboys numa cidade tão grande fez-me perguntar como diabos circulam as encomendas, as pizzas, o sedex, enfim, o dinheiro em NY.

5. Não sei exatamente qual a relação pessoas/carros da cidade, mas a impressão que eu tive é de que há bem menos carros nas ruas de Manhattan do que em São Paulo, muito provavelmente porque o transporte público funciona de fato. A organização das ruas também deve facilitar um pouco a vida do motorista.

6. Táxis. Há milhões deles. Não peguei nenhum yellow cab, mas não foi por falta de oportunidade.

7. Motoristas: ao contrário de São Paulo, os motoristas de ônibus são dos mais pacíficos. Andam numa velocidade honesta e, mesmo em engarrafamentos, não fazem fila dupla. Não ficam, portanto, fechando seus colegas de trabalho para poder pegar ou deixar passageiros no ponto, como é comum na Av. Paulista. Aliás, uma coisa muito bacana dos ônibus de Manhattan é que eles têm um sistema que abaixa a carroceria até que ela fique quase na altura da calçada, facilitando muito o embarque (são os chamados kneeling buses). Os motoristas de táxi, no entanto, são tão escrotos quanto os daqui. Param na esquina, xingam, fecham cruzamentos sem a menor cerimônia.

8. Bicicletas: há algumas. Não tantas quanto eu esperava, provavelmente por causa do frio. Mas são razoavelmente respeitadas.

9. Pedestres: são muitos. Havia muitos turistas no meio, então não dá para ter muita noção do comportamento do pedestre novaiorquino médio. Pelo menos no metrô e nos trens as pessoas esperam você sair do vagão para depois entrarem. Não deveria, mas fiquei impressionado.

Dallas BBQ. De novo.
Chegamos em Manhattan já perto da hora do almoço, então aproveitamos que a Port Authority Terminal fica na 42nd Street e fomos almoçar novamente no Dallas BBQ. Dessa vez para provar o tal do Early Bird Special. Lembram-se?

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Imperdível a oferta. Pedimos então o tal do “Early Bird Special”. Salvo engano, o nome do prato é derivado de uma expressão em inglês que diz “the early bird catches the worm”. Algo como o “Deus ajuda quem cedo madruga” do brasileiro. Na prática, significa que a promoção só não é válida para a janta, pois os horários para o almoço são bem esticados, como é possível ver pelo recorte do menu.

Li no menu “2 rotisseried half chickens” e não levei a sério como deveria. Achei que fossem franguinhos pequenos. Cortados pela metade ainda, deve vir um naco de sobrecoxa e uma coxa, no máximo. Um magrelo faminto como eu comeria sem problemas.

Chama "Early Bird", mas nada tem de comida de passarinho.

Chama Early Bird, mas nada tem de comida de passarinho.

A metade do frango é literalmente metade de um frango mesmo. Pareceu-me, na hora, maior que o chester do Natal. Meio “Early Bird Special” (lembrem-se: são duas refeições iguais a essa aí por promoção) daria com folga para mim e para a P.

Metropolitan. Mais uma vez.
Deixei praticamente metade da refeição no prato e fomos para o Metropolitan, conferir o segundo andar que não pudemos ver na primeira ida ao museu.

Espremedor de limão do Philippe Starck (obrigado, R.), na seção de Arte Moderna

Espremedor de limão do Philippe Starck (obrigado, R.), na seção de Arte Moderna

O saguão de entrada do Metropolitan, lotado como sempre.

O saguão de entrada do Metropolitan, lotado como sempre.

Um armário Ming de verdade.

Um armário Ming de verdade.

Escada de acesso ao térreo.

Escada de acesso ao térreo.

Saímos exaustos, mas muito satisfeitos. Dica do dia: se faltar tempo e você precisar escolher uma área do segundo andar do Metropolitan para se dedicar, vá direto à seção de pinturas européias (Rembrandt, Renoir, Manet, Monet e centenas de outros pintores) e preste atenção às pilastras que separam as salas. Em algumas delas há indicações do tipo “você está aqui”, que ajudam na hora de andar sem se perder.

Nono dia – 26/12

Dia das compras
O combinado para o dia seguinte ao Natal era aproveitarmos a xepa e conseguir, quem sabe, algumas boas ofertas. Acordamos cedo e a R. nos levou até o Palisades Mall, (dado inútil: o décimo-segundo maior shopping dos USA, de acordo com a Wikipedia). No caminho, R. nos explicou que o tal shopping é considerado uma verdadeira aberração da engenharia civil norte-americana, pois foi construído em cima de um pântano. O resultado são as rachaduras que se espalham pelo chão. R. nos alertou para prestar atenção ao térreo, que está coberto por um carpete justamente para esconder algumas das fendas abertas no piso. Reza a lenda que o shopping está, literalmente, afundando, o que não deixa de ser irônico em tempos de crise.

Aproveitamos que o shopping ainda não se consumiu a si próprio e fomos nós às compras. De fato, ele é o maior que já visitei (pelo que vi, perde em área construída para o Aricanduva aqui em Sampa), mas nada tem de especial além do tamanho e de uma roda gigante no meio do parque de diversões. Os preços, frustrando minhas expectativas, não estavam tão convidativos como imaginei. Acabei descobrindo que a xepa do Natal nada tem de parecida com o que acontece na Black Friday, o dia seguinte ao Thanksgiving, em que os americanos vão às compras às 5 da manhã para aproveitar as promoções – nada como um motivo nobre para acordar cedo numa emenda de feriado.

Achei o vídeo abaixo que mostra como foi a Black Friday nesse shopping em 2006.

O Henry também tem uma experiência bem edificante na Black Friday, vale a pena conferir.

Chegamos cedo, evitamos parte da horda consumista que certamente viria mais tarde, e pudemos passear com certa tranquilidade. Infelizmente não cheguei a tempo de ver a Circuit City antes da falência. Também já tinha presenciado a KB Toys fechando a barraquinha dias antes num shopping em New Jersey. Restava-me a Best Buy, para as coisas que realmente interessam, ou seja, bugigangas eletrônicas.

O diabo do consumo

O diabo do consumo

Dica do dia: se você quer comprar eletrônicos nos USA, bater perna continua sendo um bom caminho. Muitas das ofertas da Best Buy ainda não batiam os preços da Amazon, por exemplo. Então é bom fazer uma pesquisa prévia online antes de ir para a loja física. Você pode chegar à conclusão de que, mesmo com o frete, pode valer a pena comprar numa loja virtual e mandar entregar no endereço onde você estiver hospedado durante a viagem.

Almoço no Friday's. Pelo menos a Coca é menor do que no Dallas BBQ. Atenção para o relógio comprado na 25 de março dias antes da viagem e que parou de funcionar no dia dessa foto.

Almoço no Friday's. Pelo menos a Coca é menor do que no Dallas BBQ. Atenção para o relógio comprado na 25 de março dias antes da viagem e que parou de funcionar no dia dessa foto.

Ainda passamos pela Victoria’s Secret (cuja loja é bem menos interessante que o desfile de lingeries da marca), Bed Bath & Beyond, etc., etc. Saímos do shopping e pegamos o ônibus para casa.

A frente da casa, até então sem foto. No canto direito, P. e a mala que ela acabara de comprar num chinês ali perto. Minha namorada ainda ficaria, mas a mala voltaria comigo para o Brasil. E bem cheia. De coisas dela, obviamente.

A frente da casa, até então sem foto. No canto direito, P. e a mala que ela acabara de comprar num chinês ali perto. Minha namorada ainda ficaria em Orageburg por um tempo, mas a mala voltaria comigo para o Brasil. E bem cheia. De coisas dela, obviamente.

Mal chegamos e a P. recebe uma ligação da R., uma das alemãs, convidando-nos para sair à noite. Acho que as au pairs da região sofrem de um problema crônico de falta do que fazer nas horas vagas, porque o lugar escolhido pelas meninas foi justamente o shopping do qual havíamos acabado de sair. Eu teria me contentado sem problema algum com um bate-papo em casa, um cinema, até o Dunkin’ Donuts do primeiro dia estava bom, mas lá fomos nós de novo para o monstro do pântano. Jantamos um sanduba genérico por lá e me preparei para as emoções do meu primeiro passeio solo por Manhattan no dia seguinte.

Quinto dia – 22/12

Museu de História Natural
Viagem de férias é uma coisa estressante. Você está de férias, o que teoricamente significa descanso (algo que definitivamente não tive nos meus primeiros quatro dias em NY, já que não fiz outra coisa a não ser gastar a sola do sapato). Descansar, no meu caso, significa não ter hora para acordar, dormir o quanto quiser. No entanto, embora de férias, você se lembra de que passou o último ano economizando e planejando aqueles míseros 15 dias. Raciocinando um pouco, passar metade deles dormindo seria um desperdício inacreditável.

Saímos o mais cedo que a preguiça nos permitiu nesse dia e rumamos para o American Museum of Natural History. Antes da viagem, a única coisa que eu sabia dele é que o Ross do Friends trabalhava lá.

Há uma saída do metrô praticamente dentro do museu, o que o torna a visita muito cômoda. Principalmente porque o que você não anda fora é imeditamente compensado pelo que se caminha dentro dele. A essa altura do blog, chega a ser redundante dizer que o museu é gigante, mas não falto com a verdade. O saguão na entrada já dá uma idéia de quem são as principais atrações do lugar:

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Isso também já é indício de que não é possível visitar o Museu de História Natural com o mesmo espírito com que se vai ao MoMA ou o Met. O número de crianças presentes logo na entrada te lembra disso, caso você esqueça em algum momento. E embora possa parecer, isso não é uma reclamação. Muito pelo contrário. NY não é uma cidade muito amigável para as crianças. De cabeça, consigo lembrar de cinco atrações além do próprio Museu de História Natural: o zoológico do Central Park (de onde partem Marty, Alex, Gloria e Mellman para a Grand Central Station), a Toys R Us, a loja da M & M’s, a Nintendo World e, no natal, a árvore do Rockefeller Center. Comparado com a quantidade de atrações para os adultos, NY não é o melhor lugar para se visitar ainda criança. Disneyworld ainda ganha de longe.

É preciso, portanto, tirar o máximo de cada atração disponível. E você não é obrigado a ser criança para aproveitar a visita. O acervo é extremamente diversificado. Há, por exemplo, uma galeria dedicada aos animais africanos, outra aos animais aquáticos, uma reservada à pedras preciosas e meteoritos, uma área específica para mostrar os diferentes costumes dos povos asiáticos, africanos, americanos. Uma seção reservada aos répteis. Outra aos mamíferos. Tudo com placas explicativas bem detalhadas. É o tipo de lugar que as escolas norte-americanas devem usar como local para excursões e visitas monitoradas.

Máscara de teatro japonês Nô, da galeria de povos asiáticos

Máscara de teatro japonês Nô, da galeria de povos asiáticos

Hum... Não, melhor ficar no museu mesmo.

Hum... Não, melhor ficar no museu mesmo.

Mas nada supera as galerias dedicadas aos dinossauros. Foi a que mais me chamou a atenção. E na qual mais tempo passei tirando fotos.

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A desculpa esfarrapada para ficar tanto tempo nessa área era que meu sobrinho de 4 anos adora dinossauros. Aproveitei a loja dessa galeria – sim, há uma loja dentro do museu que só vende produtos relacionados a dinossauros – e comprei um T. Rex e uma caixa com várias miniaturas.

Aliás, isso é uma coisa que esqueci de mencionar quando falei dos outros museus: em todos eles, sem exceção, há uma ou mais lojas com todo tipo de souvenir relacionado ao acervo. Não chega a ser uma surpresa, mas vale a lembrança, já que tanto a entrada do Metropolitan como a do Museu de História Natural tem preço sugerido de US$ 20.00. Na prática, você paga quanto quiser. Em ambos fui generoso e paguei US$ 0.50.

Saímos mortos de cansaço do museu, mas ainda reservamos um pouco de energia para conhecer a tal Century 21. Li muito sobre essa loja como uma boa pedida para compra de roupas de inverno. De fato, o lugar tem preços melhores do que o resto de Manhattan, mas não há nada de muito interessante lá dentro se você não tem muito dinheiro para gastar ou se já conseguiu um bom casaco emprestado para os 15 dias de viagem.


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