Subindo a Broadway
Depois de mais um dia no museu, resolvemos que era hora de tentar um programa outdoors e encarar Downtown Manhattan a pé. O plano era chegar cedo à ilha e ir subindo a Broadway – que é uma avenida gigante, ao contrário do que eu imaginava – até onde as pernas aguentassem.
Uma coisa que esqueci de mencionar foi quanto aos nossos guias e mapas que usamos durante a viagem. Dica do dia: A primeira coisa que fiz quando descobri que meu visto havia sido aprovado foi passar numa livraria e comprar um guia de NY. Haviam me indicado duas marcas de guias internacionais: Rough Guides e Lonely Planet. Acabei optando pela última, mais especificamente o Encounter, a edição de bolso. Escolhi o Encounter porque, além de ser menor do que a versão completa do guia (economizando peso e espaço na mochila), também era a opção mais barata. O guia completo tem toneladas de informações sobre a cidade, talvez valha a pena para quem for fazer alguma viagem mais longa do que a minha. No meu caso, o Encounter foi mais do que o suficiente. Ele é bem organizado e bem escrito, o que facilita a consulta.
Entretanto, o mais legal de ambos os guias, na minha opinião, é o mapa destacável que cada um contém. Isso lhe permite organizar visualmente cada dia. Li o guia inteiro, escolhi alguns lugares mais intressantes e rabisquei o meu mapa, marcando os locais que eu mais gostaria de visitar – tudo antes mesmo de sair do Brasil. Já em NY, deixei o guia no quarto e carreguei o mapa no bolso todos os dias. Fora a dificuldade de abrir o mapa de luvas, até que nos viramos muito bem assim. Teria sido muito mais maneiro se tivéssemos um celular com conexão 3G e acesso ao Google Maps, mas isso ainda não foi possível.
Wall Street
Nosso ponto de partida foi Financial District, um pedaço de Downtown Manhattan que concentra a maior circulação de dinheiro por polegada quadrada do mundo. Felizmente fizemos o passeio num domingo, então não havia executivos engravatados ou operadores da bolsa de valores piorando a muvuca já formada por turistas nas ruas.

Charging Bull, ou o touro de bronze de Wall Street. Reza a lenda entre os operadores da Bolsa de NY que bater com a pasta no nariz do touro antes do expediente traz sorte (dinheiro, no caso). A Wikipedia me ensina que o dito cujo foi esculpido por um italiano maluco chamado Arturo Di Modica, que gastou US$ 360,000.00 para criar essa homenagem à força e poder do povo Norte-Americano, logo após a crise financeira de 1987. Se o que dizem é verdade e as crises anteriores foram, de fato, pinto perto da que vivemos ano passado, tenho medo de imaginar o que vão esculpir dessa vez.

Mais uma tentativa frustrada de tentar pegar o touro inteiro, sem nenhum turista para atrapalhar. FAIL.

Reza outra lenda que quem segura as bolas do touro terá fortuna e felicidade para todo o sempre. Optei pela infelicidade eterna.
Reparem na foto acima ao lado direito, um ônibus de dois andares azul com os dizeres “City Sights NY“. Trata-se de uma das opções de city tours da cidade. Há vendedores desses tours por Manhattan inteira, querendo lhe empurrar um bilhete de qualquer maneira. Há opções a partir de US$ 40.00 que lhe permitem descer e subir dos ônibus durante o dia inteiro. Esse busão da foto ainda é coberto, mas alguns deles não tinham qualquer proteção contra o frio. Eu preferi andar.

Eu desconfio que esse monumento vermelho é em homenagem ao às vítimas do 11 de setembro, mas fiquei com preguiça de atravessar a rua e conferir. O que mais interessa na foto é a P., no canto inferior esquerdo, seca para comer um pretzel e descobrindo que a barraquinha não tinha nenhum para vender.
Chinatown
Continuamos nosso percurso pela Broadway e demos uma passada em Chinatown para almoçar. Mais uma dica: se você quer comer em Manhattan sem precisar gastar os tubos, Chinatown é o lugar. Mas atenção: barato não siginifica necessariamente bom e, muito menos, limpo. O que não falta nesse pedaço da ilha são lugares suspeitos. Becos apertados, cheiros estranhos. Não, Chinatown nada tem a ver com a Liberdade aqui em São Paulo. O bairro chinês novaiorquino é dezenas de vezes maior, mais muvucado e mais feio do que o bairro japonês paulistano. Mas o preço da comida é proporcionalmente mais baixo, o que acaba compensando a visita.
Seguindo as dicas desse top ten de comida boa e barata em NY, fomos primeiro ao Nha Trang, de comida vietnamita. Olhamos de fora, P. fez sua cara típica de desconfiança e resolvemos buscar outro lugar. Fomos ao Nyonya, de comida malasiana, e dessa vez a cara dela foi um pouco melhor, então resolvemos arriscar.
O Nyonya foi uma das gratas surpresas gastronômicas dessa viagem. É um dos poucos restaurantes que eu voltaria numa próxima visita a Manhattan. O atendimento é bom (os garçons são orientais, mas falam um inglês compreensível), o cardápio é variadíssimo e a comida, além de muito barata, é excelente. E eles ainda são gentis o suficiente para indicar com um asterisco no menu quais pratos são apimentados de verdade. Fica por sua própria conta e risco. Nós dois pedimos opções sem asterisco e a comida já era um pouco apimentada, mas sem exagero.
Salvo engano, gastamos no total uns US$ 20.00. Saiu o dobro do Early Bird Special, mas não dá para comparar a qualidade da comida.
Na saída do Nyonya, passamos por Little Italy, que é uma pena ter sido espremida por Chinatown e se limitar a poucos quarteirões nesse pedaço da cidade. As poucas cantinas que sobraram são super bonitas e merecem uma visita numa próxima oportunidade.
Joey Ramone Place e CBGB. Ou não.
Esse dia também vai ficar marcado por ser um dos mais frustrantes de toda a viagem. Era a oportunidade de, finalmente, conferir in loco uma homenagem a um dos grandes ídolos da minha adolescência. A informação que eu tinha era de que a placa da Joey Ramone Place ficava na East 2nd Street. Subimos a Broadway até lá e andamos a bendita rua inteira, mas nada de placa. Voltei pela mesma rua olhando todos os postes novamente e nada. A P., que nunca ouviu Ramones na vida e nunca tinha ouvido falar de Joey Ramone nenhum, me acompanhou bravamente pela peregrinação e me consolou quando também não consegui achar o CBGB, o qual, segundo minhas pesquisas, ficaria ali perto, na Saint Mark’s Place, mas só achei uma loja de roupas normais demais para ser o lendário clube punk.
Forbidden Planet, paraíso nerd
Depois de uma pausa num Starbucks, continuamos subindo pela Broadway e encontramos a Strand Bookstore, uma livraria/sebo de quatro andares com milhares de títulos. Olhei só de fora e deixei a visita para outro dia, com mais tempo, porque um quarteirão acima estava a Forbidden Planet, a maior loja de produtos nerds que já visitei. Tem de tudo: action figures, mangás, fantasias, camisetas, filmes, pins, HQs, posters, fotos, etc., etc., etc.

Quem for à Forbidden Planet e quiser trazer um presente para mim, pode ser esse busto do Homem de Ferro. US$ 600.00. Uma pechincha.
Deixar a Forbidden Planet sem ter torrado todo o meu rico dinheirinho lá foi uma das maiores provas de autocontrole que já encarei. Muitos teriam sucumbido.










Nah. Tantas visitas a museus, comida, o frio que você passou E NÂO ACHOU A JOEY RAMONE PLACE! Para que serviu a viagem, então?
Essa Forbidden Planet parece ser bem maneira. Parabéns pelo autocontrole.
Legal o capítulo. Já estou esperando o próximo
A viagem só não foi completamente inútil porque a 53rd&3rd estava lá, como sempre esteve. Pelo menos essa não tinha como errar.
Você não saiu perguntando nas lojas se a tal placa existia, se o CBGB ainda estava lá e etc? Eu sou a maior perguntadeira em viagens, páro mil pessoas na rua para perguntar a mesma coisa. E eu (quase) sempre acabo achando os lugares que quero.
Heheheh… Optou pela infelicidade eterna,, então…. XD
cada vez com mais vontade de visitar NY.
mais, conta mais.
Nem perguntei pra ninguém, não. Deveria ser mais perguntadeiro mesmo.
Optei. Sem remorso nenhum. Se todo mundo que tocasse as bolas do touro ficasse rico, só nesse dia teríamos vários turistas milionários.
Vou conta, Pati, vou contar. Mas falta pouco pra viagem acabar já.
Isso me lembra – em japa, as bolas se chamam “kintama”… (segundo algumas traduções,) significa “bola de ouro”… XD
Estranho né? 2 anos antes a placa tava lá, até te mostrei a foto.., acho que algum fã fanático como vc. deve ter roubado a tal!
Estou ansiosa pelo 12º dia.
bjs e happy birthday!
gil
Ok… minha frustração com o Pretzel está pública agora!
Mas a foto com o tamanho da sua boca, depois que consegui comprá-lo na próxima barraca, não aparece, né? eheh
Happy happy B-day!!!!
KotzUra, taí mais uma palavra pro meu parco vocabulário em nihongô. Essa eu vou guardar, com certeza.
Gil, Obrigado! E se alguém roubou, deveria queimar no inferno pelo tempo que me fez perder andando essa rua inteira.
P., a foto do Pretzel foi no dia que eu estava sozinho de manhã, lembra? Depois eu coloco.