Décimo-primeiro dia – 28/12

Subindo a Broadway
Depois de mais um dia no museu, resolvemos que era hora de tentar um programa outdoors e encarar Downtown Manhattan a pé. O plano era chegar cedo à ilha e ir subindo a Broadway – que é uma avenida gigante, ao contrário do que eu imaginava – até onde as pernas aguentassem.

Uma coisa que esqueci de mencionar foi quanto aos nossos guias e mapas que usamos durante a viagem. Dica do dia: A primeira coisa que fiz quando descobri que meu visto havia sido aprovado foi passar numa livraria e comprar um guia de NY. Haviam me indicado duas marcas de guias internacionais: Rough Guides e Lonely Planet. Acabei optando pela última, mais especificamente o Encounter, a edição de bolso. Escolhi o Encounter porque, além de ser menor do que a versão completa do guia (economizando peso e espaço na mochila), também era a opção mais barata. O guia completo tem toneladas de informações sobre a cidade, talvez valha a pena para quem for fazer alguma viagem mais longa do que a minha. No meu caso, o Encounter foi mais do que o suficiente. Ele é bem organizado e bem escrito, o que facilita a consulta.

Entretanto, o mais legal de ambos os guias, na minha opinião, é o mapa destacável que cada um contém. Isso lhe permite organizar visualmente cada dia. Li o guia inteiro, escolhi alguns lugares mais intressantes e rabisquei o meu mapa, marcando os locais que eu mais gostaria de visitar – tudo antes mesmo de sair do Brasil. Já em NY, deixei o guia no quarto e carreguei o mapa no bolso todos os dias. Fora a dificuldade de abrir o mapa de luvas, até que nos viramos muito bem assim. Teria sido muito mais maneiro se tivéssemos um celular com conexão 3G e acesso ao Google Maps, mas isso ainda não foi possível.

Wall Street
Nosso ponto de partida foi Financial District, um pedaço de Downtown Manhattan que concentra a maior circulação de dinheiro por polegada quadrada do mundo. Felizmente fizemos o passeio num domingo, então não havia executivos engravatados ou operadores da bolsa de valores piorando a muvuca já formada por turistas nas ruas.

Bolsa de Valores de NY. Foi aqui, exatamente aqui, que comecei a perder dinheiro ano passado. Lugarzinho maldito.

Foi aqui, exatamente aqui, que comecei a perder dinheiro ano passado. Lugarzinho maldito.

Charging Bull, ou o touro de bronze de Wall Street. Reza a lenda entre os operadores da Bolsa de NY que bater com a pasta no nariz do touro antes do expediente traz sorte (ou dinheiro, no caso). A Wikipedia me diz que o dito cujo foi esculpido por um italiano maluco chamado Arturo Di Modica, que gastou US$ 360,000.00 para criar essa homenagem à força e poder do povo Norte-Americano, logo após a crise (outra?) de 1987. Se o que dizem é verdade e as crises anteriores foram, de fato, pinto perto da que vivemos ano passado, tenho medo de imaginar o que vão esculpir dessa vez.

Charging Bull, ou o touro de bronze de Wall Street. Reza a lenda entre os operadores da Bolsa de NY que bater com a pasta no nariz do touro antes do expediente traz sorte (dinheiro, no caso). A Wikipedia me ensina que o dito cujo foi esculpido por um italiano maluco chamado Arturo Di Modica, que gastou US$ 360,000.00 para criar essa homenagem à força e poder do povo Norte-Americano, logo após a crise financeira de 1987. Se o que dizem é verdade e as crises anteriores foram, de fato, pinto perto da que vivemos ano passado, tenho medo de imaginar o que vão esculpir dessa vez.

Mais uma tentativa frustrada de tentar pegar o touro inteiro, sem nenhum turista para atrapalhar. FAIL.

Mais uma tentativa frustrada de tentar pegar o touro inteiro, sem nenhum turista para atrapalhar. FAIL.

Reza outra lenda que quem segura as bolas do touro terá fortuna e felicidade para todo o sempre. Optei pela infelicidade eterna.

Reza outra lenda que quem segura as bolas do touro terá fortuna e felicidade para todo o sempre. Optei pela infelicidade eterna.

Reparem na foto acima ao lado direito, um ônibus de dois andares azul com os dizeres “City Sights NY“. Trata-se de uma das opções de city tours da cidade. Há vendedores desses tours por Manhattan inteira, querendo lhe empurrar um bilhete de qualquer maneira. Há opções a partir de US$ 40.00 que lhe permitem descer e subir dos ônibus durante o dia inteiro. Esse busão da foto ainda é coberto, mas alguns deles não tinham qualquer proteção contra o frio. Eu preferi andar.

Um cubo gigante na Broadway com a Liberty Street.

Um cubo gigante na Broadway com a Liberty Street.

Eu desconfio que esse monumento vermelho é em homenagem ao às vitimas do 11 de setembro, mas fiquei com preguiça de atravessar a rua e conferir. O que mais interessa na foto é a P., no canto inferior esquerdo, seca para comer um pretzel e descobrindo que a barraquinha não tinha nenhum para vender.

Eu desconfio que esse monumento vermelho é em homenagem ao às vítimas do 11 de setembro, mas fiquei com preguiça de atravessar a rua e conferir. O que mais interessa na foto é a P., no canto inferior esquerdo, seca para comer um pretzel e descobrindo que a barraquinha não tinha nenhum para vender.

Chinatown
Continuamos nosso percurso pela Broadway e demos uma passada em Chinatown para almoçar. Mais uma dica: se você quer comer em Manhattan sem precisar gastar os tubos, Chinatown é o lugar. Mas atenção: barato não siginifica necessariamente bom e, muito menos, limpo. O que não falta nesse pedaço da ilha são lugares suspeitos. Becos apertados, cheiros estranhos. Não, Chinatown nada tem a ver com a Liberdade aqui em São Paulo. O bairro chinês novaiorquino é dezenas de vezes maior, mais muvucado e mais feio do que o bairro japonês paulistano. Mas o preço da comida é proporcionalmente mais baixo, o que acaba compensando a visita.

Seguindo as dicas desse top ten de comida boa e barata em NY, fomos primeiro ao Nha Trang, de comida vietnamita. Olhamos de fora, P. fez sua cara típica de desconfiança e resolvemos buscar outro lugar. Fomos ao Nyonya, de comida malasiana, e dessa vez a cara dela foi um pouco melhor, então resolvemos arriscar.

O Nyonya foi uma das gratas surpresas gastronômicas dessa viagem. É um dos poucos restaurantes que eu voltaria numa próxima visita a Manhattan. O atendimento é bom (os garçons são orientais, mas falam um inglês compreensível), o cardápio é variadíssimo e a comida, além de muito barata, é excelente. E eles ainda são gentis o suficiente para indicar com um asterisco no menu quais pratos são apimentados de verdade. Fica por sua própria conta e risco. Nós dois pedimos opções sem asterisco e a comida já era um pouco apimentada, mas sem exagero.

P. feliz com seu miojo incrementado.

P. feliz com seu miojo incrementado.

Salvo engano, gastamos no total uns US$ 20.00. Saiu o dobro do Early Bird Special, mas não dá para comparar a qualidade da comida.

Na saída do Nyonya, passamos por Little Italy, que é uma pena ter sido espremida por Chinatown e se limitar a poucos quarteirões nesse pedaço da cidade. As poucas cantinas que sobraram são super bonitas e merecem uma visita numa próxima oportunidade.

Joey Ramone Place e CBGB. Ou não.
Esse dia também vai ficar marcado por ser um dos mais frustrantes de toda a viagem. Era a oportunidade de, finalmente, conferir in loco uma homenagem a um dos grandes ídolos da minha adolescência. A informação que eu tinha era de que a placa da Joey Ramone Place ficava na East 2nd Street. Subimos a Broadway até lá e andamos a bendita rua inteira, mas nada de placa. Voltei pela mesma rua olhando todos os postes novamente e nada. A P., que nunca ouviu Ramones na vida e nunca tinha ouvido falar de Joey Ramone nenhum, me acompanhou bravamente pela peregrinação e me consolou quando também não consegui achar o CBGB, o qual, segundo minhas pesquisas, ficaria ali perto, na Saint Mark’s Place, mas só achei uma loja de roupas normais demais para ser o lendário clube punk.

Forbidden Planet, paraíso nerd
Depois de uma pausa num Starbucks, continuamos subindo pela Broadway e encontramos a Strand Bookstore, uma livraria/sebo de quatro andares com milhares de títulos. Olhei só de fora e deixei a visita para outro dia, com mais tempo, porque um quarteirão acima estava a Forbidden Planet, a maior loja de produtos nerds que já visitei. Tem de tudo: action figures, mangás, fantasias, camisetas, filmes, pins, HQs, posters, fotos, etc., etc., etc.

Quem for à Forbidden Planet e quiser trazer um presente para mim, pode ser esse busto do Homem de Ferro. US$ 600.00. Uma pechincha.

Quem for à Forbidden Planet e quiser trazer um presente para mim, pode ser esse busto do Homem de Ferro. US$ 600.00. Uma pechincha.

Nerd que é nerd sai de casa até no frio e de muleta pra fazer compras.

Nerd que é nerd sai de casa até no frio e de muleta pra fazer compras.

Camisetas, camisetas, camisetas.

Camisetas, camisetas, camisetas.

Uma action figure mais legal que a outra

Uma action figure mais legal que a outra

Deixar a Forbidden Planet sem ter torrado todo o meu rico dinheirinho lá foi uma das maiores provas de autocontrole que já encarei. Muitos teriam sucumbido.

13 Respostas para “Décimo-primeiro dia – 28/12”


  1. 1 Sérgio fevereiro 12, 2009 às 2:08 am

    Nah. Tantas visitas a museus, comida, o frio que você passou E NÂO ACHOU A JOEY RAMONE PLACE! Para que serviu a viagem, então?

    Essa Forbidden Planet parece ser bem maneira. Parabéns pelo autocontrole.

    Legal o capítulo. Já estou esperando o próximo :-P

  2. 2 Elder Tanaka fevereiro 12, 2009 às 2:14 am

    A viagem só não foi completamente inútil porque a 53rd&3rd estava lá, como sempre esteve. Pelo menos essa não tinha como errar.

  3. 3 R. fevereiro 12, 2009 às 9:18 am

    Você não saiu perguntando nas lojas se a tal placa existia, se o CBGB ainda estava lá e etc? Eu sou a maior perguntadeira em viagens, páro mil pessoas na rua para perguntar a mesma coisa. E eu (quase) sempre acabo achando os lugares que quero. :)

  4. 4 KoutzUra fevereiro 12, 2009 às 10:48 am

    Heheheh… Optou pela infelicidade eterna,, então…. XD

  5. 5 patricia fevereiro 12, 2009 às 6:04 pm

    cada vez com mais vontade de visitar NY.
    mais, conta mais.

  6. 6 Elder Tanaka fevereiro 12, 2009 às 6:36 pm

    Nem perguntei pra ninguém, não. Deveria ser mais perguntadeiro mesmo.

  7. 7 Elder Tanaka fevereiro 12, 2009 às 6:40 pm

    Optei. Sem remorso nenhum. Se todo mundo que tocasse as bolas do touro ficasse rico, só nesse dia teríamos vários turistas milionários.

  8. 8 Elder Tanaka fevereiro 12, 2009 às 6:41 pm

    Vou conta, Pati, vou contar. Mas falta pouco pra viagem acabar já. :)

  9. 9 KoutzUra fevereiro 12, 2009 às 8:42 pm

    Isso me lembra – em japa, as bolas se chamam “kintama”… (segundo algumas traduções,) significa “bola de ouro”… XD

  10. 10 gil fevereiro 13, 2009 às 3:46 pm

    Estranho né? 2 anos antes a placa tava lá, até te mostrei a foto.., acho que algum fã fanático como vc. deve ter roubado a tal! :P
    Estou ansiosa pelo 12º dia.

    bjs e happy birthday!
    gil

  11. 11 P. fevereiro 13, 2009 às 5:58 pm

    Ok… minha frustração com o Pretzel está pública agora!
    Mas a foto com o tamanho da sua boca, depois que consegui comprá-lo na próxima barraca, não aparece, né? eheh

    Happy happy B-day!!!!

  12. 12 Elder Tanaka fevereiro 13, 2009 às 6:31 pm

    KotzUra, taí mais uma palavra pro meu parco vocabulário em nihongô. Essa eu vou guardar, com certeza.

    Gil, Obrigado! E se alguém roubou, deveria queimar no inferno pelo tempo que me fez perder andando essa rua inteira.

    P., a foto do Pretzel foi no dia que eu estava sozinho de manhã, lembra? Depois eu coloco. :)


  1. 1 Décimo-terceiro dia - 30/12 « The sweet smell of whatever Trackback em fevereiro 27, 2009 às 12:39 pm

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