Esqueceram de mim 2
Depois de sobreviver ao primeiro dia sozinho em Manhattan, senti-me mais confiante e arrisquei um passeio por outras áreas ainda não visitadas. A viagem já estava chegando ao fim e esse seria o último dia que poderia ser plenamente aproveitado batendo perna pela ilha, já que os planos a partir dali eram ajeitar as coisas para o ano-novo e, logo em seguida, arrumar as malas para a volta.
A essa altura da viagem eu já havia me acostumado com o percurso ônibus em NJ > trem > metrô em Manhattan. Ser minoria em meio aos negros no ônibus Jersey City também já não me causava tanto estranhamento. O que ainda era difícil encarar com naturalidade era o famigerado frio. Você acaba aprendendo, por bem ou por mal, a lidar com ele depois de 13 dias, mas meu queixo continuava sendo a parte mais fria do meu corpo depois de um tempo andando de cara pro vento.
Jack’s – o R$ 1,99 de Manhattan
A primeira parada do dia foi uma das lojas da rede Jack’s, dica anotada desse post do maosdevaca.com.
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Jack’s da 32nd St. Não fui nos outros, mas acho que deve ser o maior deles.
O Jack’s nada mais é do que um R$ 1,99 aqui do Brasil maior e pouca coisa mais organizado. A grande diferença está mesmo na qualidade das mercadorias que é possível encontrar lá dentro e no preço em comparação com o resto das lojas da ilha. Há desde material de limpeza e escolar até barras de chocolate suíço sendo vendidas a preço de banana. Seja esperto e dê uma pesquisada nessa loja antes de sair gastando os tubos Manhattan afora. Como o meu relógio havia quebrado, aproveitei para comprar um Casio ali por US$ 9,99. Está funcionando até hoje, a propósito.
Madison Square Garden
Saindo do Jack’s, segui pela 32nd St até o Madison Square Garden, ou simplesmente The Garden, como eles chamam por lá.
Cansei de ouvir sobre esse ginásio na época em que acompanhava com mais afinco os jogos da NBA no início da década de 90, época em que Barkley, Jordan, Magic Johnson, Pat Ewing e cia. me faziam ligar a TV para assistir a um jogo de basquete. De lá pra cá a NBA perdeu, para mim, um pouco do brilho de outrora, e acabei deixando-a de lado. Mesmo assim, uma visita ao estádio do New York Knicks era uma obrigação nessa viagem.

Painel de fotos com as atrações que o MSG já abrigou. Jogos de basquete, hockey, lutas de boxe, luta-livre, shows de música. Faz-se de tudo lá dentro.
No dia em que visitei o estádio, haveria um jogo do Knicks à noite, então as visitas monitoradas ao interior do estádio estavam limitadas a somente um pedaço do tour normalmente feito, que custa US$ 18,00. Achei muito caído entrar no estádio sem ver jogo algum e fui embora.

Detalhe do azulejo da escadaria de acesso à bilheteria, com mensagens dos torcedores dos Knicks (basquete) e Rangers (hockey). Não perguntei, mas desconfio que o direito de escrever mensagens em cada azulejo desses deva custar uma pequena fortuna.
United States Post Office e os policiais
Saindo do MSG, dei a volta até a parte de trás do estádio e encontrei o prédio dos Correios Norte-Americano na 8th Ave, um dos que mais gostei de tirar fotos.
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Não sabia que o prédio passou por uma reforma, acabei descobrindo isso agora. Gire a imagem para a esquerda e você vai ver a Penn Station com o MSG ao fundo
Todo mundo que já viu essa foto acima diz que parece saída de algum filme de tribunal de Hollywood, estilo Questão de Honra. Você também tem essa impressão?
Depois de algum tempo tirando fotos do prédio, estava quase saindo do local quando vi, saindo do MSG e atravessando a rua, centenas de policiais fardados.
E não paravam de chegar. Aos montes. Pouco tempo depois a escadaria do prédio estava abarrotada de policiais fazendo festa, falando ao celular chamando as pessoas para o local e tirando fotos. Aproveitei a oportunidade para tirar as minhas também.
Vi no noticiário da CNN depois que havia ocorrido naquela manhã uma formatura do departamento de polícia de New York (a famosa NYPD) no MSG. Por isso a farda e as fotos na escadaria do prédio.
B&H Superstore
Saí do meio dos policiais e fui até a 9th Ave, onde encontrei a B&H Superstore. Ouvi falar muito bem dessa loja e guardei um pedaço do dia para pesquisar preços e conhecer o lugar. O objetivo era procurar um MP3 Player e um case para o netbook que havia comprado na Amazon.
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Fachada da B&H na 9th Ave. Indo à direita você encontra a parte de trás do prédio dos Correios.
Resumindo bem, a B&H é para os geeks o que a Forbidden Planet é para os nerds. Quem curte equipamentos eletrônicos de todos os tipos (fotográfico, de som ou de vídeo) vai encontrar aqui tudo o que quer e com bom preços. A loja é enorme, e na ocasião estava bem cheia, mas é a mais organizada que já vi na minha vida. Há vendedores aos montes (99% judeus) e todos com que conversei, pelo menos, souberam me atender muito bem. Nenhum deles tentou me empurrar mercadoria alguma, só tirou dúvidas (muito bem, diga-se de passagem) sobre aquilo que eu perguntei, o que já é um avanço.
A atração da loja, no entanto, são os elevadores e esteiras que correm pelos balcões de atendimento e o teto do térreo, levando as mercadorias pelas seções da loja. O processo é mais ou menos o seguinte: depois que você escolhe o que quer comprar, o vendedor imprime e lhe entrega uma página com a descrição do produto. Você leva essa página ao balcão mais próximo e o atendente solicita o produto ao estoque via computador. Em questão de poucos segundos a esteira embaixo do balcão traz uma caixa de papelão com o produto que você escolheu. O atendente mostra a mercadoria, pergunta se está tudo ok com o pedido, devolve a peça na esteira (que a leva para o setor de pacotes) e imprime um ticket. Cada seção tem seu balcão específico e o processo se repete até que você tenha todos os tickets do que quer comprar em mãos. Depois de pagar todos eles no caixa, você passa com o comprovante no setor de pacotes e pega tudo o que comprou de uma vez.
É mais fácil entender tudo isso vendo o vídeo institucional da loja.
Em última análise, é um esquema industrial de produção em série (com as esteiras, inclusive). A diferença é que na indústria os operários produzem a mercadoria em si, pedaço por pedaço. Na B&H as mercadorias já estão prontas, não há o que produzir a não ser mais-valia.
Burger King, Biblioteca Pública e Port Authority Terminal
Saí da B&H feliz com meu case, MP3 Player e com fome. Havia várias opções de fast food por perto (Arby’s, Wendy’s, McDonald’s), acabei escolhendo o Burger King por ser o mais vazio. Nessa lanchonete percebi que ainda preciso estudar um pouco mais de inglês para conseguir compreender o que a atendente latina dizia. Demorei meia-hora até conseguir entender que ela queria saber se eu gostaria de levar só um Whooper ou o menu completo. Também foi nesse Burger King que recebi o lanche no fatídico saco que serviu de inspiração para o nome desse blog.
Algumas centenas de calorias depois, minha intenção era de, no caminho para a Biblioteca Pública, subir o Empire State, mas desisti assim que dei de cara com o tamanho da fila, que dava a volta no quarteirão do edifício. Quanto mais o fim do ano chegava, mais inchada de turistas a cidade ficava. Se eu tivesse passado por ali logo que cheguei em NY talvez tivesse pegado uma fila menor. Como deixei para o fim da viagem, optei por deixar essa visita para uma próxima vez.
O certo, como bom pesquisador, teria sido passar boa parte do dia (quiçá da viagem toda) usufruindo do direito de consultar o acervo dessa biblioteca. Mas o lado turista falou mais alto, acabei ficando bem menos tempo do que deveria ali.
Pelo menos tive a oportunidade de visitar uma exposição sobre a comunidade artística norte-americana Yaddo, fundada no início do século XX e sobre a qual nunca ouvi falar.
A hora de encontrar a P. na rodoviária estava chegando, então juntei minhas coisas e fui até a Port Authority novamente esperá-la por lá.
Alguns dos cartazes espalhados pelo terminal:
B&H de novo
Assim que a P. chegou com meu netbook recém-entregue pela Amazon, descobri que eles enviaram de brinde um case, tornando automaticamente inútil aquele que eu havia comprado pela manhã na B&H. Voltamos e resolvemos colocar à prova o sistema de troca/devolução de mercadorias nas lojas sobre o qual tanto havia ouvido falar. O cidadão norte-americano tem ao seu lado uma lei que obriga as lojas a devolver o dinheiro ao consumidor insatisfeito ou trocar a mercadoria por uma outra dentro de um determinado espaço de tempo. É o “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta” levado ao pé da letra. A cama inflável na qual durmimos em Jersey City (comprada pelos nossos anfitriões exclusivamente para o período em que estivéssemos por lá) também seria devolvida nesse esquema.
Na B&H há uma porta na calçada exclusiva para esse tipo de transação. E não éramos os únicos na hora a realizar a troca. O atendente pegou o case, perguntou o motivo da troca e nos deu a opção de devolver o valor em dinheiro ou em créditos para gastar na loja. Como a P. precisava de um mouse sem fio, pegamos um ticket com os créditos e usamos para fazer mais uma compra na loja. Tudo rápido e sem maiores problemas. Quem dera fosse assim no Brasil.
Times Square, Hershey’s Store e M&M’s World
Saindo da B&H, aproveitamos o tempo que restava para uma última passada na Times Square. O ano-novo seria só no dia seguinte, mas aquilo já estava apinhado de gente, carros, máquinas de som e barreiras da polícia.
Quem me conhece sabe do meu apreço pelas muvucas. Infelizmente foi preciso passar por esse pequeno desconforto para tentar chegar às lojas da Hershey’s e da M&M’s.
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Hershey’s Store – perto da M&M’s World, parece uma bomboniere
Entramos em estilo rugby pela loja só o suficiente para que eu me decepcionasse com o tamanho diminuto daquilo. Saímos com algum esforço, atravessamos a rua e vimos uma loja de chocolates de verdade.
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Também lotada na ocasião, mas bem mais transitável que a da Hershey’s
Não sou chocólatra, mas mesmo assim babei nos chocolates da loja, que vende também todo e qualquer tipo de souvenir relacionado aos M&M’s.
Na saída, finalmente conseguimos comprar o pretzel que a P. queria há dois dias.



























































